O Departamento de Estado dos EUA anunciou na quinta-feira, 28, a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida foi divulgada um dia após reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o secretário de Estado americano Marco Rubio. As facções serão enquadradas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) e “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs). A designação SDGT entra em vigor imediatamente. Já a inclusão na lista FTO exige notificação ao Congresso americano e passa a valer em 5 de junho. Embora o Congresso seja informado, não pode barrar a decisão. O governo de Donald Trump ainda não comentou oficialmente a medida. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com preocupação, alegando riscos à soberania nacional. O Planalto teme que os EUA usem o combate ao terrorismo como justificativa para ações unilaterais em território brasileiro.
Pela legislação brasileira, PCC e CV não são considerados grupos terroristas, pois atuam com fins lucrativos e não possuem motivações ideológicas, religiosas ou políticas, exigidas pela Lei Antiterrorismo de 2016. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou que a cooperação internacional contra o crime é bem-vinda, mas rejeitou qualquer possibilidade de intervenção externa. As designações podem resultar em sanções contra pessoas e empresas ligadas às facções. Especialistas avaliam que a medida também pode afetar a relação entre Brasil e EUA e gerar cautela de investidores americanos diante do risco de punições financeiras.
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