O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se em Havana com autoridades cubanas após os EUA renovarem uma oferta de US$ 100 milhões para aliviar os efeitos da crise energética em Cuba. Segundo o governo cubano, o encontro buscou melhorar o diálogo bilateral e reafirmar que Havana não representa ameaça à segurança dos EUA. Um funcionário da CIA afirmou à CBS News que Washington está disposto a negociar questões econômicas e de segurança, desde que Cuba promova “mudanças fundamentais”. A crise de combustível, agravada pelo bloqueio americano ao petróleo destinado à ilha, afeta hospitais, escolas, repartições públicas e o turismo. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou que a situação melhoraria mais rapidamente se os EUA suspendessem o bloqueio. Também participaram da reunião o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e Raúl Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro. Segundo a CIA, a delegação levou uma mensagem do presidente Donald Trump. Os dois lados discutiram cooperação em inteligência, estabilidade econômica e segurança regional. Cuba e EUA já haviam confirmado negociações neste ano, mas as conversas perderam força com o agravamento do bloqueio ao petróleo.
Venezuela e México reduziram ou interromperam o envio de combustível à ilha após ameaças tarifárias de Trump. O chanceler cubano Bruno Rodríguez afirmou que Havana está disposta a analisar os detalhes da ajuda americana. O Departamento de Estado dos EUA reiterou a oferta humanitária, condicionando a distribuição à Igreja Católica e organizações independentes, sem participação direta do governo cubano. Rodríguez respondeu que Cuba não rejeita ajuda oferecida “de boa-fé”, mas reiterou que a melhor solução seria reduzir as sanções econômicas e energéticas. A CBS News informou ainda que o governo americano avalia apresentar acusações contra Fidel e Raúl Castro pelo abatimento de aviões do grupo Brothers to the Rescue em 1996. Enquanto isso, o ministro da Energia, Vicente de la O Levy, afirmou que Cuba ficou sem diesel e óleo combustível. Segundo ele, algumas áreas de Havana enfrentam apagões de até 22 horas por dia. Os cortes de energia provocaram protestos nas ruas da capital, com manifestantes bloqueando vias e exigindo o retorno da eletricidade. Díaz-Canel responsabilizou os EUA pela crise, chamando o bloqueio energético de “genocida”. Recentemente, Washington ampliou sanções contra autoridades cubanas acusadas de violações de direitos humanos. O governo cubano classificou as medidas como “ilegais e abusivas”.
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