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quarta-feira, 27 de maio de 2026

FALHA NO USO DE IA, SEGUNDO ADVOGADOS


Pesquisa do Superior Tribunal de Justiça (STJ) revelou que ao menos 13 tribunais de apelação já utilizam inteligência artificial para analisar a admissibilidade de recursos especiais. O levantamento foi apresentado no III Encontro com Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais sobre recursos dirigidos aos tribunais superiores. Outras dez cortes afirmaram não usar IA, entre elas o Tribunal de Justiça de São Paulo. Nos tribunais que adotam a tecnologia, os sistemas auxiliam na triagem, classificação, análise de requisitos formais e elaboração de minutas de decisões. O próprio STJ utiliza o sistema Logos, capaz de ler petições, identificar teses jurídicas e sugerir minutas. O tribunal detectou tentativas de “prompt injection”, estratégia usada para inserir comandos ocultos em petições a fim de influenciar a IA. Os casos são investigados administrativa e criminalmente. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais aparece entre os mais avançados no uso da tecnologia, empregando assistentes próprios e plataformas do Google para sugerir aplicação de precedentes e súmulas. Já o TJ de Rondônia usa IA não generativa treinada com histórico de recursos aceitos e rejeitados.

No Paraná, o sistema Simba-Jud reúne agentes virtuais que fazem contagem de prazo, verificam gratuidade de Justiça, localizam procurações e sugerem padrões decisórios. Os tribunais relatam ganhos de eficiência e celeridade na análise de recursos ao STJ e STF. Por outro lado, cresce a reação da advocacia diante de falhas atribuídas ao uso da IA. O ministro Rogerio Schietti manifestou preocupação com erros graves em petições produzidas com auxílio tecnológico e comunicou a OAB. Também se multiplicam recursos questionando se decisões judiciais teriam sido produzidas por inteligência artificial sem supervisão humana. Em um habeas corpus, o ministro Antonio Saldanha classificou como “desrespeitosa” a acusação de que decisão teria sido integralmente produzida por IA. Segundo ele, os sistemas apenas auxiliam na elaboração de relatórios e localização de teses. A ConJur identificou apenas um caso em que o STJ reconheceu erro do sistema Logos. No AREsp 2.923.529, a Presidência admitiu que a análise automatizada não percebeu diferenças processuais relevantes, agravadas pela digitalização desordenada dos autos no TJ de Goiás.

 

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