A pesquisa TIC Educação 2025 mostra que apenas 37% das escolas brasileiras permitem o uso de inteligência artificial em atividades educacionais. Em contrapartida, 80% discutiram com os pais os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes, contra 62% no ano anterior. Realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, o levantamento ouviu gestores de 2.404 escolas públicas e privadas entre agosto de 2025 e abril de 2026. O avanço do debate ocorreu após a aprovação do ECA Digital e da lei que restringiu o uso de celulares nas escolas, além da popularização da IA entre estudantes. A permissão para uso da IA é maior nas escolas estaduais (47%), seguida das municipais (35%) e privadas (31%), aumentando conforme o nível de ensino. Entre os gestores, a IA é amplamente utilizada para produzir slides, avisos, convites e relatórios, além de apoiar análises de desempenho escolar.
Projetos de educação midiática existem em 65% das escolas, mas apenas 24% os realizam semanalmente. Os principais obstáculos são a baixa participação das famílias, falta de materiais e escassez de tempo no currículo. Também cresceram as discussões sobre cyberbullying, discriminação e vazamento de imagens, presentes em 75% das escolas. Quanto aos celulares, 51% das escolas proíbem que os alunos levem os aparelhos, enquanto outras adotam regras de armazenamento. Segundo a coordenadora da pesquisa, Daniela Costa, a ampliação do debate sobre os riscos das tecnologias digitais levou as escolas a combinar medidas de restrição com iniciativas de educação e letramento digital, reconhecendo que limitar o acesso não basta para enfrentar os desafios do ambiente online.
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