A Apple entrou com uma nova ação judicial contra o governo do Reino Unido para contestar a exigência de acesso a dados criptografados de usuários do iCloud. A empresa questiona uma "notificação de capacidade técnica" (TCN), emitida com base na Lei de Poderes de Investigação, que pode obrigar empresas a fornecer informações protegidas por criptografia às autoridades. A disputa ocorre um ano após Londres recuar de uma exigência anterior que gerou atritos diplomáticos com os Estados Unidos. A nova determinação, porém, limita-se a usuários britânicos. A ação foi apresentada ao Tribunal de Poderes de Investigação (IPT), que também analisará uma contestação movida pelas organizações Privacy International e Liberty. Uma audiência para definir o andamento dos processos está marcada para o próximo mês. A Apple afirma que criar qualquer tipo de "porta dos fundos" comprometeria a segurança de todos os seus clientes. A empresa reiterou que jamais desenvolverá uma chave mestra para acessar dados criptografados.
O governo britânico não comentou o caso específico, mas defendeu a legislação, afirmando que ela busca equilibrar a proteção da privacidade com a necessidade de combater terrorismo, crimes graves e abuso sexual infantil, sob supervisão judicial. Após receber a notificação original, em 2025, a Apple suspendeu no Reino Unido o serviço de Proteção Avançada de Dados (ADP) do iCloud, que oferece criptografia de ponta a ponta. O impasse reacende o debate global sobre privacidade, segurança digital e acesso governamental a informações criptografadas.
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