Em novembro de 2024, duas semanas após a reeleição de Donald Trump, o presidente da Suprema Corte dos EUA, John Roberts, convocou funcionários para assinar acordos formais de confidencialidade sobre o funcionamento interno do tribunal. A medida ocorreu após vazamentos inéditos, como o rascunho da decisão que revogou o direito ao aborto, além de críticas éticas e queda de confiança pública. Antes, o sigilo era uma norma informal; agora virou contrato, com possíveis sanções legais, segundo fontes. Os novos termos não foram divulgados, mas são considerados mais rigorosos e passaram a ser assinados por funcionários e novos integrantes desde 2024. A Suprema Corte não comentou oficialmente, mas tradicionalmente, o tribunal mantém alto nível de sigilo, não sendo obrigado por leis de transparência e restringindo acesso a registros internos e visitas. Juízes alegam que seus documentos são privados e muitas vezes só se tornam públicos após suas mortes. O vazamento de 2022, publicado pelo Politico, expôs uma decisão histórica antes do anúncio oficial, e o responsável nunca foi identificado. Reportagens recentes também revelaram bastidores e divergências internas entre juízes. Em 2024, veio à tona que Roberts teria defendido ampla imunidade a Trump, com base em memorandos confidenciais. Antes dos contratos, o tribunal usava códigos de conduta e orientações verbais para garantir sigilo.
Especialistas veem os novos acordos como sinal de desconfiança interna e fragilidade institucional. Para alguns, eles intimidam mais do que têm eficácia legal real. Há ainda o paradoxo: processar vazamentos pode expor ainda mais informações sensíveis. Outra tradição impactada é a de ex-funcionários que lucram com a experiência adquirida na Corte. O debate sobre transparência é antigo — desde 1821, quando Thomas Jefferson criticou o sigilo do tribunal. Juízes defendem a confidencialidade para preservar independência e evitar pressões externas. Vazamentos, dizem, podem prejudicar debates internos e decisões colegiadas, mas ainda assim, críticos argumentam que o poder dos juízes exige maior transparência. Eles apontam que decisões importantes ocorrem longe do público, dificultando avaliação e controle democrático e destacam a influência de assessores jovens na elaboração de decisões. Para esses analistas, o sigilo excessivo enfraquece a confiança e impede compreensão do funcionamento real da Corte.
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