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quinta-feira, 4 de junho de 2026

INDICAÇÃO DE NOVO EMBAIXADOR SEM CONSULTA FORMAL AO GOVERNO


A indicação do deputado da Flórida Daniel Perez como novo embaixador dos EUA no Brasil provocou incômodo no Itamaraty e pode gerar novo atrito diplomático entre os dois países. 
Pela prática diplomática, o país que pretende nomear um embaixador costuma solicitar previamente e de forma reservada o chamado “agrément”, consulta formal ao governo anfitrião antes do anúncio do indicado. Segundo integrantes do Itamaraty e do Planalto, isso não ocorreu no caso brasileiro. Filho de cubanos e aliado de Donald Trump, Perez teve seu nome enviado ao Senado dos EUA para aprovação. O posto está vago desde janeiro de 2025. Nos bastidores, diplomatas brasileiros interpretaram a ausência do agrément como um desrespeito e mais um sinal de distanciamento entre o governo Trump e a administração de Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do mal-estar, fontes do governo afirmam que a análise da indicação não deverá seguir critérios ideológicos. A tendência é que o Brasil avalie apenas aspectos diplomáticos e eventuais impedimentos formais para autorizar a nomeação.

Há, porém, preocupação com o momento da indicação, às vésperas das eleições gerais brasileiras. Integrantes do governo temem possíveis repercussões políticas, embora interlocutores nos EUA afirmem que a sabatina no Senado pode atrasar a chegada de Perez ao Brasil. Mesmo diante das divergências, o Itamaraty considera importante a presença de um embaixador norte-americano no país, já que o cargo possui interlocução mais ampla com o governo brasileiro do que a de um encarregado de negócios, que atualmente responde pela representação diplomática dos EUA.

 

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