O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve enterrar a CPI do Master e ignorar o pedido da oposição para investigar desvios no banco. A leitura do requerimento é obrigatória para a instalação da CPI e deveria ocorrer na sessão de hoje, 30, a primeira após o protocolo. Alcolumbre, porém, quer evitar o tema e teria feito acordo com a oposição para não haver contestação. Em troca, pautou o veto ao projeto da dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. A tendência é que o veto seja derrubado pelo Congresso. A negociação envolveu também o relator do projeto, deputado Paulinho da Força. O acerto prevê votar o veto sem leitura da CPI do Master. A cúpula do Congresso tenta evitar desgaste político com o caso. Isso porque o escândalo pode expor vínculos de parlamentares com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O acordo foi fechado quando a sessão foi anunciada semanas atrás. Na ocasião, também estava prevista a votação de Jorge Messias ao STF, rejeitada pelo Senado. O governo Lula não deve apoiar a instalação da CPI. Avalia que o tema é negativo e reforça o debate sobre corrupção. Além disso, pode ofuscar pautas como redução da jornada e isenção do IR. O pedido de CPI mista foi protocolado em fevereiro e teve apoio de 281 parlamentares e é de autoria de Carlos Jordy (PL-RJ). O foco inclui relações entre ministros do STF e Vorcaro.
Há ainda outro pedido na Câmara, de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Esse investiga desvios envolvendo o BRB e o requerimento está parado por fila de CPIs. No Senado, Eduardo Girão (Novo-CE) também propôs uma CPI e o pedido não foi lido e acabou judicializado no STF, cabendo a relatoria ao ministro Kassio Nunes Marques, sem decisão até agora. Sem CPIs específicas, parlamentares recorreram a outras comissões. Elas acessaram dados e relatórios sobre o banco. As CPIs do INSS e do crime organizado foram usadas para isso. Ambas, porém, foram encerradas sem prorrogação. Também não houve votação de relatórios finais.
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