
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicou nesta terça (28) o relatório “Água como Arma”, denunciando o uso do acesso à água como instrumento de guerra por Israel na Faixa de Gaza. Segundo a ONG, três mecanismos colocaram toda a população em risco: destruição da infraestrutura, restrições ao acesso humanitário e bloqueio de suprimentos essenciais. Grande parte dos sistemas de água e saneamento foi destruída ou tornou-se inacessível. Dados do Banco Mundial, União Europeia e Organização das Nações Unidas indicam que 89% dessas estruturas foram danificadas. A MSF atua na região desde antes dos ataques do Hamas em outubro de 2023, que desencadearam o conflito. Mesmo com ordens de retirada, equipes continuam no território. Desde o cessar-fogo de 2025, foram atendidos 15 mil casos de trauma e realizados mais de 40 mil curativos. O relatório se baseia em dados coletados em Khan Yunis e em operações da própria organização ao longo de 2025. A ONG conclui que a inacessibilidade à água e saneamento configura “punição coletiva”, com impactos na saúde, dignidade e segurança da população. Israel afirma que seus ataques têm como alvo estruturas do Hamas e nega atingir civis deliberadamente. A MSF aponta que 23% das pessoas relataram doenças gastrointestinais após o cessar-fogo, índice maior que durante a trégua anterior. Infecções respiratórias também foram frequentes, atingindo cerca de 22% dos lares. O colapso do saneamento levou à contaminação de águas subterrâneas, tornando poços impróprios para consumo.
Antes da guerra, Gaza possuía infraestrutura avançada de produção de água potável, incluindo dessalinização. Após a destruição dessas instalações, a MSF tentou levar novos equipamentos, mas enfrentou bloqueios e atrasos. A ONG relata ataques a caminhões-pipa e pontos de distribuição de água, mesmo identificados. Em Rafah, uma instalação que atendia 16 mil pessoas por dia foi abandonada após retirada forçada da equipe. Imagens de satélite indicam que a estrutura foi destruída. A ofensiva israelense intensificou deslocamentos internos massivos da população. Em 2025, o governo de Binyamin Netanyahu aprovou plano de ocupação da Cidade de Gaza. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para risco de agravamento humanitário. A MSF afirma que a “zona humanitária” concentrava 2,1 milhões de pessoas em área extremamente densa. A densidade superava amplamente a de cidades como São Paulo. A organização pede o fim do bloqueio a equipamentos e dos deslocamentos forçados. Também solicita facilitação do trabalho humanitário. O relatório lembra que Israel, como potência ocupante, deve garantir necessidades básicas da população. A MSF pede ainda apoio internacional para negociações e reconstrução de infraestrutura. O documento reforça a gravidade da crise hídrica e sanitária em Gaza. E destaca que a situação continua crítica mesmo após acordos de cessar-fogo.
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