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sexta-feira, 17 de abril de 2026

BRASILEIROS BUSCAM NOVA VIDA NO PARAGUAI


Centenas de brasileiros formaram longas filas em Ciudad del Este, no Paraguai, para obter residência por meio de mutirões organizados pelo governo local. Sob sol, chuva e condições precárias, muitos passaram horas — até dias — aguardando atendimento. 
O movimento reflete uma crescente onda migratória de brasileiros atraídos por menores impostos, custo de vida mais baixo e menos burocracia. Em 2025, mais da metade das 40,6 mil residências concedidas a estrangeiros no país foram para brasileiros. Entre os motivos citados estão a insatisfação com o ambiente econômico no Brasil e a busca por melhores condições para empreender. Empresários destacam a baixa carga tributária e leis trabalhistas mais flexíveis como fatores decisivos. O Paraguai tem registrado crescimento econômico acima da média regional, impulsionado por custos reduzidos de produção e energia barata, graças às hidrelétricas. Ainda assim, o país enfrenta limitações estruturais, como baixa arrecadação e serviços públicos menos desenvolvidos. Especialistas alertam que o modelo pode não ser sustentável no longo prazo e destacam problemas em áreas como saúde e educação. O sistema de saúde, por exemplo, é limitado e muitas vezes exige pagamento por insumos.

Apesar de o salário mínimo ser relativamente maior, a informalidade no Paraguai atinge mais de 60% dos trabalhadores, bem acima do Brasil. Outro ponto relevante é que muitos brasileiros buscam apenas residência temporária. Em 2025, apenas 19% dos pedidos foram permanentes, indicando que parte dos migrantes não pretende se estabelecer definitivamente. Relatos mostram experiências diversas: alguns conseguem reduzir custos e expandir negócios, enquanto outros se decepcionam e planejam voltar ao Brasil. Há também críticas à idealização do Paraguai nas redes sociais, com alertas de que o país tem desafios significativos e não corresponde à imagem de “mil maravilhas”. Ainda assim, muitos brasileiros afirmam não querer retornar, motivados por preferências econômicas e políticas, além do desejo de maior autonomia em relação ao Estado. A proximidade geográfica facilita tanto a ida quanto o retorno, tornando essa migração mais dinâmica e, muitas vezes, temporária. 

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