Centenas de brasileiros formaram longas filas em Ciudad del Este, no Paraguai, para obter residência por meio de mutirões organizados pelo governo local. Sob sol, chuva e condições precárias, muitos passaram horas — até dias — aguardando atendimento. O movimento reflete uma crescente onda migratória de brasileiros atraídos por menores impostos, custo de vida mais baixo e menos burocracia. Em 2025, mais da metade das 40,6 mil residências concedidas a estrangeiros no país foram para brasileiros. Entre os motivos citados estão a insatisfação com o ambiente econômico no Brasil e a busca por melhores condições para empreender. Empresários destacam a baixa carga tributária e leis trabalhistas mais flexíveis como fatores decisivos. O Paraguai tem registrado crescimento econômico acima da média regional, impulsionado por custos reduzidos de produção e energia barata, graças às hidrelétricas. Ainda assim, o país enfrenta limitações estruturais, como baixa arrecadação e serviços públicos menos desenvolvidos. Especialistas alertam que o modelo pode não ser sustentável no longo prazo e destacam problemas em áreas como saúde e educação. O sistema de saúde, por exemplo, é limitado e muitas vezes exige pagamento por insumos.
Apesar de o salário mínimo ser relativamente maior, a informalidade no Paraguai atinge mais de 60% dos trabalhadores, bem acima do Brasil. Outro ponto relevante é que muitos brasileiros buscam apenas residência temporária. Em 2025, apenas 19% dos pedidos foram permanentes, indicando que parte dos migrantes não pretende se estabelecer definitivamente. Relatos mostram experiências diversas: alguns conseguem reduzir custos e expandir negócios, enquanto outros se decepcionam e planejam voltar ao Brasil. Há também críticas à idealização do Paraguai nas redes sociais, com alertas de que o país tem desafios significativos e não corresponde à imagem de “mil maravilhas”. Ainda assim, muitos brasileiros afirmam não querer retornar, motivados por preferências econômicas e políticas, além do desejo de maior autonomia em relação ao Estado. A proximidade geográfica facilita tanto a ida quanto o retorno, tornando essa migração mais dinâmica e, muitas vezes, temporária.
Nenhum comentário:
Postar um comentário