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quinta-feira, 30 de abril de 2026

MILEI DEFENDE SEU CHEFE DE GABINETE E ATACA JORNALISTAS


O chefe de gabinete do presidente Javier Milei, Manuel Adorni, falou ao Congresso argentino ontem, 29, pela primeira vez desde que virou alvo de um escândalo envolvendo viagens de luxo e compra de imóveis. 
A ida ao Congresso deveria ser rotineira, conforme a Constituição, mas foi sua primeira prestação de contas desde que assumiu o cargo, em novembro, transformando a sessão em um interrogatório. O clima foi antecipado por um vídeo divulgado pelo governo com Milei ao som de “Eye of the Tiger”, sugerindo um tom de confronto. Adorni é hoje um dos membros mais rejeitados do governo, com 68% de avaliação negativa, segundo a Universidade de San Andrés. Sua popularidade caiu nove pontos desde março, quando surgiram as primeiras denúncias. O caso começou com a revelação de que sua esposa, Betina Angeletti, viajou com a comitiva oficial a Nova York sem função pública. Ele justificou dizendo que ela o acompanha e o ajuda, alegando também que trabalhou intensamente na viagem. A oposição reagiu com ironias no Congresso, chamando-o de “deslomado”. As suspeitas aumentaram com novas revelações, como uma viagem em jato privado ao Uruguai durante o Carnaval. Também vieram à tona férias em Aruba e a compra de dois imóveis recentes. Os bens incluem uma casa em condomínio e um apartamento de US$ 230 mil em Buenos Aires.

Os gastos levantaram dúvidas por serem incompatíveis com seu salário atual de cerca de US$ 2.500 mensais. Em 2023, ele chegou a parcelar uma dívida judicial de US$ 500. Apesar disso, Milei manteve Adorni no cargo, diferentemente de outros aliados afastados por casos semelhantes. O presidente acompanhou a sessão e chegou a discutir com opositores, fazendo acusações duras. No discurso, Adorni defendeu a política econômica do governo, com foco em austeridade e controle da inflação. Ao final, negou irregularidades e afirmou que provará sua inocência na Justiça. Disse ter pedido desculpas pela viagem da esposa e se colocou à disposição das autoridades. Também afirmou que suas viagens pessoais não geraram custos ao governo. Parlamentares da oposição questionaram a origem de seu patrimônio. A deputada Mónica Frade disse que o problema não é gastar, mas a origem do dinheiro. Já Néstor Pitrola chamou Adorni de “cadáver político”. A permanência do ministro ainda é vista como incerta, diante da pressão crescente. O episódio ocorre em um momento de queda de popularidade de Milei. A inflação segue alta e setores como construção e indústria apresentam retração. Ao deixar o Congresso, Milei atacou jornalistas, chamando-os de “ladrões e corruptos”.

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