A taxa básica de juros em 15% ao ano por período prolongado tem pressionado as empresas e elevado os pedidos de recuperação judicial. Em 2025, 2.466 companhias recorreram à Justiça, recorde da série iniciada em 2012 e alta de 13% ante 2024, segundo a Serasa Experian. O número de processos, que podem reunir várias empresas de um mesmo grupo, chegou a 977, crescimento de 5,5% e próximo do pico histórico de 2016. Para a economista Camila Abdelmalack, o volume de CNPJs é alarmante, embora a análise combinada com processos permita relativizar parcialmente o quadro. A Serasa reformulou sua metodologia e passou a acompanhar dois indicadores: empresas e processos. Em 2016, o recorde ocorreu em meio a recessão, inflação e juros elevados. Já em 2025, o cenário é de desaceleração econômica com crédito caro, dificultando a rolagem de dívidas. Apesar disso, a situação atual é considerada menos grave que a de 2016. O país inicia um ciclo de queda de juros, de 15% para 14,75%, com expectativa entre 12,5% e 13% ao final, ainda em patamar elevado. Por setor, a agropecuária liderou os pedidos (30,1%), seguida por serviços (30%), comércio (21,7%) e indústria (18,2%). O avanço do agro é expressivo frente aos 1,3% registrados em 2012. Esse movimento reflete o peso crescente do agronegócio no PIB, mas também sua exposição a riscos como clima, preços e custos. Esses fatores comprimem margens e levam empresas a renegociar dívidas.
Desde 2023, o crescimento dos pedidos vem desacelerando: 36% em 2023, 26% em 2024 e 13% em 2025. Ainda assim, a tendência é de continuidade das dificuldades, diante da atividade fraca, juros altos e inadimplência elevada. Em janeiro, havia 8,7 milhões de empresas negativadas, com dívida média de R$ 23 mil. Esse indicador costuma antecipar novos pedidos de recuperação judicial. Especialistas preveem aumento dos casos até 2026, impulsionado pelo custo do crédito e pelo ritmo lento de queda da Selic. Também cresce o uso da recuperação extrajudicial, alternativa mais barata e flexível. Em 2025, foram 62 casos, frente a 977 judiciais, mas a modalidade vem ganhando espaço por permitir negociações diretas com credores e maior liberdade operacional.
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