
Dois dias após os Estados Unidos anunciarem o bloqueio aos portos iranianos e ao Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial —, a China reagiu com críticas duras à medida. O chanceler chinês, Wang Yi, afirmou que a interrupção da navegação não atende aos interesses da comunidade internacional e defendeu um cessar-fogo amplo entre EUA, Israel e Irã. O porta-voz Guo Jiakun classificou o bloqueio como “irresponsável e perigoso”, alertando para riscos à segurança marítima e ao frágil equilíbrio na região. Pequim insiste que o fim da guerra é essencial para estabilizar o estreito. Enquanto isso, o presidente Donald Trump sinalizou possível retomada de negociações com o Irã, possivelmente em Islamabad, afirmando que conversas podem ocorrer em breve. Apesar do bloqueio, navios seguiram atravessando o Estreito de Ormuz sem incidentes, embora os EUA tenham impedido a saída de algumas embarcações iranianas nas primeiras 24 horas. Especialistas avaliam que a China mantém posição crítica, porém cautelosa.
Yun Sun destaca que Pequim condena o conflito, mas dificilmente terá envolvimento militar direto. Já John Calabrese aponta uma mudança no tom chinês, agora mais explícito ao classificar ações dos EUA como desestabilizadoras. Ainda assim, a atuação chinesa segue limitada por sua política de não intervenção e pelo interesse em preservar relações com Irã e países do Golfo. A guerra também gerou tensões entre aliados ocidentais. Trump criticou a premiê italiana Giorgia Meloni, que reagiu negativamente a ataques do americano ao papa Leão XIV e suspendeu acordo de defesa com Israel. O conflito ainda impulsionou um raro encontro entre Israel e Líbano, mediado pelos EUA, visto como oportunidade histórica, apesar de divergências e ataques do Hezbollah durante as negociações. Analistas concluem que a China preserva influência diplomática e econômica, mas evita assumir papel de liderança militar, mantendo atuação indireta no conflito.
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