Pesquisar este blog

segunda-feira, 20 de abril de 2026

LIVRO FÍSICO, PAPEL E LÁPIS NAS ESCOLAS, SEM CELULAR, NA SUÉCIA


O governo da Suécia decidiu retomar o uso de livros físicos, papel e lápis nas escolas para tentar reverter a queda na compreensão de leitura dos estudantes. 
A medida tem gerado críticas de empresas de tecnologia, educadores e especialistas, que temem impactos negativos na formação profissional e na economia. Em escolas como as de Nacka, alunos voltaram a usar mais materiais impressos, substituindo plataformas digitais e reduzindo o uso de laptops. A mudança contrasta com a imagem da Suécia como referência em inovação tecnológica e digitalização. Desde os anos 2000, dispositivos digitais haviam se tornado padrão nas salas de aula. Em 2015, cerca de 80% dos alunos do ensino médio já tinham acesso individual a equipamentos digitais. Em 2019, tablets foram incorporados até na pré-escola como parte de políticas educacionais digitais. A atual coalizão de direita, no poder desde 2022, passou a limitar o uso de telas, principalmente entre crianças pequenas. O governo defende que métodos tradicionais melhoram a concentração e o aprendizado da leitura e escrita. Pré-escolas deixaram de ser obrigadas a usar tecnologia, e celulares serão proibidos nas escolas. Também foram destinados bilhões em investimentos para compra de livros didáticos e formação de professores. A mudança foi baseada em consultas com especialistas e pesquisas educacionais. Neurocientistas apontam que telas podem prejudicar a concentração e o processamento de informações. 

Estudos indicam que a leitura digital pode dificultar a compreensão e afetar o desenvolvimento cognitivo. A decisão também busca melhorar o desempenho do país no ranking internacional Pisa. A Suécia caiu de posição desde 2012 e teve nova queda em leitura e matemática em 2022. Apesar de ainda estar acima da média da OCDE, 24% dos alunos não atingem o nível básico de leitura. Relatórios indicam que o uso excessivo de tecnologia nas aulas pode estar ligado a resultados mais baixos. Especialistas alertam, porém, que não há relação direta simples de causa e efeito. Críticos afirmam que o problema está no uso sem estratégia pedagógica clara. No setor empresarial, há preocupação com a redução da formação digital dos estudantes. Relatórios indicam que a maioria dos empregos exigirá habilidades digitais no futuro. A Suécia é destaque na criação de startups bilionárias, como empresas de tecnologia e inovação. Há receio de que a falta de qualificação digital afete esse ecossistema. Também existe debate sobre o ensino de inteligência artificial nas escolas. Alguns defendem que o tema deve ser introduzido desde cedo para evitar desigualdades. Outros acreditam que é preciso priorizar habilidades básicas antes da tecnologia avançada. Especialistas alertam para o risco de aumento da “divisão digital” entre alunos. O governo rejeita essa crítica e afirma que a base educacional é o principal fator de igualdade. Entre estudantes, as opiniões também se dividem entre apoio ao ensino tradicional e à educação digital.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário