A Anistia Internacional afirmou, em relatório anual divulgado nesta terça-feira (21), que o mundo deve resistir ao surgimento de uma nova ordem global marcada por líderes “predadores”. A organização citou governos como os de Estados Unidos, Israel e Rússia. Segundo o documento, essas lideranças estariam enfraquecendo normas internacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial. A diplomacia estaria sendo substituída por conflitos armados e coerção econômica. A secretária-geral Agnès Callamard declarou que o mundo vive “o momento mais desafiador da nossa época”. Ela apontou a atuação de movimentos anti-direitos e governos autoritários. Foram citados nominalmente Donald Trump, Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu. Segundo Callamard, esses líderes adotam estratégias que ampliam violência e repressão global. O relatório acusou Israel de manter um “genocídio” contra palestinos em Gaza após o cessar-fogo de 2025. Também criticou ações militares dos Estados Unidos fora de seu território. O Irã foi citado por repressão violenta a protestos em 2026. A ONG afirma que essa teria sido uma das mais letais em décadas. A entidade denunciou o enfraquecimento do sistema multilateral internacional. Segundo o relatório, isso ocorre por interesses de hegemonia e controle.
Nas Américas, houve aumento da repressão a protestos e ataques a jornalistas. Casos foram registrados no Brasil, Estados Unidos, Honduras e Peru. O documento menciona uso excessivo de força por autoridades. Também aponta violações recorrentes de direitos humanos. Nos EUA, 1.143 pessoas foram mortas pela polícia em 2025. A ONG destacou impacto desproporcional sobre a população negra. A Anistia Internacional também denunciou execuções extrajudiciais em operações antidrogas. O relatório afirma que instituições internacionais sofrem ataques inéditos desde 1948. Cita ações da Rússia contra o Tribunal Penal Internacional e saídas dos EUA de acordos multilaterais. A organização criticou a “covardia” de líderes globais diante dessas violações. Apontou omissão especialmente na Europa. Como exceções, mencionou Espanha e Eslovênia. Esses países classificaram a ofensiva em Gaza como “genocídio”. Callamard afirmou que a inação é “moralmente falida”. Segundo ela, o silêncio compromete décadas de avanços em direitos humanos. A entidade defende ação coletiva de governos e sociedade civil. O objetivo é conter esse modelo global e proteger a estabilidade internacional.
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