O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) solicitou a um tribunal federal de recursos a anulação das condenações de 12 líderes das milícias Proud Boys e Oath Keepers por conspiração sediciosa. Eles haviam sido condenados por planejar e liderar o ataque ao Congresso em 6 de janeiro de 2021, com o objetivo de impedir a certificação da vitória de Joe Biden nas eleições de 2020 e manter Donald Trump no poder. As duas organizações são consideradas algumas das mais agressivas da extrema-direita americana. No início de seu segundo mandato, Trump concedeu indulto a mais de 1,5 mil integrantes desses grupos, libertando-os e apagando seus antecedentes ligados à invasão. No entanto, excluiu esses 12 líderes do perdão completo, optando apenas por comutar suas penas. A comutação garantiu liberdade imediata, incluindo a de Stewart Rhodes, condenado a 18 anos, mas manteve os registros criminais. Nos EUA, diferentemente da comutação, a anulação da condenação restaura direitos civis, como voto, posse de armas e acesso a empregos. Para limpar seus registros, os líderes recorreram ao Tribunal Federal de Recursos no Distrito de Colúmbia, alegando abuso de autoridade nas acusações. Durante o governo Biden, promotores classificaram a invasão como um ataque à democracia e compararam os crimes à traição.
Os acusados criticaram publicamente a procuradora Jeanine Pirro, que defendia a atuação do governo anterior. No dia seguinte, o DOJ apresentou o pedido de revogação das condenações por conspiração sediciosa. A ação colocou o departamento em situação delicada, pois exigiria sustentar que os líderes agiram em nome de Trump. Diante disso, o DOJ decidiu não prosseguir com o caso. Pirro argumentou que o pedido segue a prática de encerrar ações penais quando isso atende aos interesses da justiça. Segundo ela, a Suprema Corte costuma aceitar esse tipo de solicitação. A decisão também se alinha ao interesse político de reconfigurar a narrativa sobre o ataque ao Congresso. A anulação apagaria registros judiciais relevantes sobre a insurreição, que deixou mais de cem policiais feridos. Especialistas apontam que a chance de o tribunal aceitar o pedido é alta. Isso ocorre porque promotores federais têm ampla discricionariedade para manter ou retirar acusações, mesmo após condenações. Informações adicionais foram baseadas em reportagens de veículos como New York Times, Washington Post, NPR e PBS.
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