O volume de petróleo exportado do Brasil para a China mais que dobrou no primeiro trimestre de 2026, em meio ao início da guerra no Irã. Como o país asiático depende fortemente do petróleo que passa pelo estreito de Hormuz, o conflito o levou a buscar novos fornecedores. Dados do governo compilados pelo CEBC mostram que as exportações brasileiras de petróleo bruto para a China atingiram US$ 7,2 bilhões, quase o dobro dos US$ 3,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Em volume, o avanço foi de 122%, passando de 7,4 mil para 16,5 mil toneladas. O petróleo respondeu por 30% das exportações brasileiras para a China no trimestre, alta de 11,2 pontos percentuais. Ao todo, 57% do petróleo exportado pelo Brasil teve como destino o país asiático, chegando a 65% em março. O crescimento é explicado por fatores geopolíticos, que levam a China a diversificar fornecedores. Nesse cenário, o Brasil surge como alternativa, com a Petrobras já consolidada no mercado chinês. Segundo o IBP, a mudança reflete a busca chinesa por maior segurança energética diante da instabilidade no Oriente Médio. As exportações de petróleo para a Índia também cresceram 78%, somando US$ 1 bilhão no trimestre. O avanço está ligado à redução das compras indianas de petróleo russo. Além do petróleo, as vendas de carne bovina para a China subiram 33,8%, alcançando US$ 1,8 bilhão, recorde para o período. As exportações de ferroligas quase dobraram, chegando a US$ 478 milhões, com destaque para ferronióbio e ferroníquel.
No total, as exportações brasileiras para a China cresceram 21,7%, atingindo US$ 23,9 bilhões — maior valor já registrado para o primeiro trimestre. A indústria extrativa respondeu por 49% desse total, com aumento de participação. Nas importações, destacou-se a compra de veículos eletrificados, que cresceu 7,5 vezes, somando US$ 1,23 bilhão. O avanço reflete a antecipação de embarques antes da alta de tarifas, que podem chegar a 35%. As importações de baterias de lítio também cresceram, com alta de 49% em volume e 37% em valor. Apesar disso, as importações totais vindas da China caíram 6%, para US$ 17,9 bilhões. A queda se explica pela base de comparação elevada em 2025, quando houve a compra de um navio-plataforma. Sem esse efeito, as importações teriam crescido 9,3% no período.
Nenhum comentário:
Postar um comentário