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quarta-feira, 29 de abril de 2026

MENDES NÃO É O INTERLOCUTOR PARA REDUZIR CRÍTICAS


Se uma organização enfrentasse grave erosão de imagem, dificilmente escolheria alguém associado ao problema para liderar a reação. No STF, porém, algo semelhante ocorreu, com Gilmar Mendes assumindo a defesa pública da corte após a crise ligada ao escândalo do Banco Master. 
Ele justificou a atuação por ser decano e ter ampla audiência mas a estratégia não surtiu efeito. Crises reputacionais exigem rapidez, inteligência e escolha adequada de porta-voz, mas com Mendes terminou por aumentar o desgaste. Sua atuação em redes sociais e na mídia não reduziu críticas nem gerou confiança, mas ao contrário, intensificou conflitos e alimentou detratores. Um dos problemas é sua associação à própria crise de imagem do STF, porque ele simboliza a percepção de proximidade entre Judiciário e elites econômicas. O evento “Gilmarpalooza” reforça essa visão de promiscuidade entre poder e influência e isso dificulta transmitir imagem de isenção institucional.

Outro fator é seu temperamento combativo. Crises pedem moderação e capacidade de apaziguar, mas o ministro reage com confronto, atacando críticos em vez de esclarecer, deslocando o debate e ampliando tensões. A postura pública de Mendes transmite superioridade, não prudência, eficaz em disputas de poder, mas inadequada para reconstruir confiança. Além de tudo isso, reforça críticas de uso do poder em benefício próprio. Reações institucionais a críticas são vistas como abuso e geram impacto político. O ministro tornou-se ativo para opositores explorarem desgaste. Provocações geram reações que ampliam ganhos políticos dos críticos. Esse ciclo reforça percepções negativas sobre o tribunal. No conjunto, a estratégia adotada não contém a crise, mas contribui para sua intensificação. 

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