Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta negociar ou pressionar uma saída para a guerra com o Irã, enfrenta as consequências de ter abandonado, há oito anos, o acordo nuclear firmado no governo anterior. O pacto, embora criticado por ter prazo limitado e permitir ao Irã retomar atividades após 2030, restringia fortemente o programa nuclear iraniano. Com a saída dos EUA em 2018, Teerã antecipou a retomada do enriquecimento de urânio, avançando mais rapidamente rumo à capacidade de produzir uma bomba. Hoje, negociadores americanos lidam com esse cenário mais complexo, resultado direto da decisão tomada apesar de alertas de assessores de segurança. No sábado, Trump cancelou abruptamente uma rodada de negociações nucleares que ocorreria no Paquistão, evidenciando as dificuldades do processo. A atenção recente se concentra em cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a níveis próximos aos usados em armas nucleares. Parte desse material estaria em instalações subterrâneas previamente bombardeadas pelos EUA. Ainda assim, esse volume representa apenas uma fração do problema nuclear iraniano. Segundo inspetores internacionais, o Irã possui atualmente cerca de 11 toneladas de urânio em diferentes níveis de enriquecimento. Com refinamento adicional, esse estoque poderia permitir a produção de até cem armas nucleares.
Esse avanço ocorreu principalmente após a retirada dos EUA do acordo original. Antes disso, o Irã havia enviado à Rússia cerca de 97% de seu estoque, reduzindo drasticamente sua capacidade imediata de produzir armas. Na época, o país não possuía material suficiente nem para uma única bomba. Agora, reverter esse quadro se tornou um dos maiores desafios diplomáticos para Washington. Trump conta com o apoio de seus principais negociadores, Jared Kushner e Steve Witkoff, para tentar um novo acordo. Uma nova rodada de negociações chegou a ser planejada, mas foi cancelada de última hora. No centro das discussões está a exigência dos EUA de interromper o enriquecimento de urânio. Washington também quer que o Irã entregue o estoque acumulado nos últimos anos, mas Teerã, resiste a ambas as condições. O impasse mostra a complexidade de reconstruir mecanismos de controle que antes já haviam sido estabelecidos. Especialistas apontam que o cenário atual é mais arriscado do que antes de 2018. Isso porque o avanço técnico do programa iraniano ampliou suas capacidades. Além disso, o volume de material nuclear disponível cresceu significativamente. A combinação desses fatores torna qualquer novo acordo mais difícil de negociar. E também eleva os riscos de escalada militar e proliferação nuclear na região.
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