Menos de duas semanas após reformar a Lei das Geleiras sob protestos, Javier Milei voltou à agenda política, buscando reforma eleitoral, em projeto que encaminhará ao Congresso. O comunicado foi feito no X, em letras maiúsculas, antes de retornar de sua terceira visita a Israel. A proposta prevê o fim das Paso (primárias abertas e obrigatórias), mudanças no financiamento de campanhas e a adoção de uma regra semelhante à Ficha Limpa. Milei afirmou que quer acabar com o uso de recursos públicos em disputas internas partidárias e barrar políticos condenados por corrupção. Apesar do tom repentino, o projeto vinha sendo negociado há semanas. O governo cogitou flexibilizar pontos, como tornar as Paso opcionais, mas essas ideias não devem constar na versão final. Desde o fim de 2025, o partido A Liberdade Avança ampliou sua força no Congresso, com quase 40% das cadeiras na Câmara e 21 dos 72 senadores. Essa base tem permitido aprovar medidas importantes, como a reforma trabalhista e mudanças na legislação penal. Ainda assim, acabar com as Paso é mais difícil, porque tentativa anterior fracassou por falta de apoio, resultando apenas em suspensão temporária.
A resistência envolve disputas internas partidárias e o temor de enfraquecimento da oposição. Como contrapartida, o governo incluiu a proposta de Ficha Limpa, defendida há anos por aliados de Mauricio Macri. A iniciativa surge em momento sensível para Milei, com queda gradual de popularidade. Pesquisa recente indica 57,4% de desaprovação e apenas 30,3% de avaliação positiva. O cenário é agravado por escândalos recentes, incluindo suspeitas ligadas a criptomoedas e investigação sobre enriquecimento ilícito de um assessor próximo.
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