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sexta-feira, 17 de abril de 2026

ADVOGADO, PRESO PELA POLÍCIA FEDERAL, É COTISTA DE FUNDOS DO BANCO MASTER


O advogado Daniel Monteiro foi preso pela Polícia Federal ontem, 16, e aparece como cotista em fundos ligados ao esquema de fraudes do Banco Master, segundo documentos da CVM obtidos pela Folha. 
Investigadores apuram se ele utilizou essa rede para distribuir dinheiro e viabilizar pagamentos a mando de Daniel Vorcaro, dono do banco. A principal suspeita é que atuasse como operador de propinas. A PF realizou busca e apreensão de documentos, o que pode levar a novas descobertas. A defesa afirma que Monteiro foi surpreendido e sempre atuou de forma técnica, negando envolvimento em atividades ilícitas. Segundo a PF, ele recebeu R$ 86 milhões do banco para atuar na estrutura jurídica do esquema. Monteiro é cotista dos fundos Le Mans e Ikran, este último ligado à empresa Attavic, da qual também é sócio. O fundo Ikran investe no Hot Plasma, que tem participação em um poço de petróleo na Bahia via empresa Rubicão esta administrada por Luiz Antonio Lombardi, ligado a outras empresas da rede, como a Pegasus. A Pegasus pertence ao fundo Sebastian, que tem o Le Mans como cotista — fundo do qual Monteiro também participa. O Le Mans ainda tem participação em outros fundos ligados ao banco, como o GT4. Esse fundo controla empresas como Hipogrifo e Harpia, ligadas a operadores financeiros do grupo investigado. A Harpia é administrada por Ana Claudia Queiroz Paiva, apontada como responsável por movimentações financeiras da organização.

O fundo Lunar, também ligado ao esquema, aparece em decisão judicial sobre bloqueio de bens de Vorcaro. Há indícios de que ativos da Harpia foram comprados com recursos desviados para uso pessoal. O Le Mans ainda detém indiretamente dois aviões por meio das empresas Pegasus e Harpia. Ana Claudia trabalha em escritório ligado a Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro. Ela também é administradora de empresa investigada por pagar milícia privada do grupo. Monteiro foi preso na mesma operação que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF aponta que ele estruturou a aquisição e ocultação de seis imóveis de luxo, avaliados em R$ 146,5 milhões. Esses bens seriam destinados a Costa, segundo a investigação. Mensagens mostram Costa pedindo a Vorcaro que Monteiro elaborasse contratos entre BRB e Master. O escritório de Monteiro foi o segundo que mais recebeu recursos do banco entre 2022 e 2025: R$ 79,1 milhões. Ficou atrás apenas de outro escritório que recebeu R$ 80,2 milhões no período. A banca afirmou que também sofreu com inadimplência do banco. Disse ainda ter atuado em cerca de 28 mil processos judiciais ligados ao Master. Segundo o escritório, os serviços reduziram mais de R$ 305 milhões em passivos. A defesa sustenta que os honorários recebidos são proporcionais à complexidade e aos resultados obtidos.

 

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