Os Estados do Golfo adiaram uma reunião crucial com o Irã sobre a gestão do estreito de Hormuz por falta de consenso. O encontro estava marcado para hoje, 14, em Omã, e reuniria ministros das Relações Exteriores. A expectativa era discutir um acordo temporário entre Teerã e Mascate para administrar a navegação pela hidrovia. O Irã restringe o tráfego pelo estreito desde o início da guerra com EUA e Israel, em fevereiro. A região tornou-se um dos principais focos do conflito e o adiamento pressionou os preços do petróleo. O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, confirmou o adiamento em nome do consenso regional. A reunião reuniria pela primeira vez em quase dois anos os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo. Participariam Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein, além do Iraque. O Bahrein, porém, anunciou que não participaria, após sofrer ataques de retaliação iranianos. A tensão aumentou após um ataque de drone lançado do Iraque contra a Arábia Saudita o que levou o Riad a fechar um oleoduto que liga o leste petrolífero à costa oeste. A infraestrutura tornou-se estratégica após o Irã interromper o tráfego pelo estreito de Hormuz. Rebeldes houthis, apoiados por Teerã, também atacaram instalações energéticas sauditas com mísseis e drones. No Iêmen, os houthis avançaram pela costa do Mar Vermelho e reforçaram o controle sobre Bab al-Mandeb. O funcionário iraniano Mohammad Ali Bek disse que a reunião foi adiada a pedido de países da região. Omã e Irã negociavam havia semanas um acordo para garantir a navegação temporária pelo estreito.
Pelo plano, navios entrariam por águas iranianas e sairiam, em sua maioria, pelo território marítimo de Omã. Diplomatas alertam, porém, que a reabertura completa dependerá também de um entendimento entre EUA e Irã. O estreito movimentava cerca de um quinto do petróleo e gás mundial antes do início da guerra. Teerã afirma que não garantirá a segurança da navegação enquanto os EUA mantiverem o bloqueio aos portos iranianos. O petróleo Brent chegou a subir 3,5%, superando US$ 108 por barril, após o adiamento das negociações. Na semana passada, as preocupações com o abastecimento já haviam levado o petróleo acima de US$ 100. O acordo provisório era visto como uma possível forma de reduzir as hostilidades entre Washington e Teerã. Também poderia abrir caminho para a retomada de um memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho. O memorando previa prolongar um cessar-fogo, reabrir gradualmente Hormuz e iniciar negociações sobre o fim da guerra. As conversas também incluiriam um entendimento sobre o programa nuclear iraniano. Irã e EUA, entretanto, acusaram-se mutuamente de violar o acordo, especialmente sobre a passagem dos navios. Washington afirmou que não voltará ao memorando e exige um acordo mais amplo, incluindo a questão nuclear. Teerã condiciona a reabertura total do estreito à suspensão do bloqueio, à venda de petróleo e ao acesso a ativos congelados. Apesar de Donald Trump afirmar que Hormuz está aberto, as exportações de energia do Golfo continuam fortemente limitadas.
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