Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram conversas no WhatsApp atribuídas ao ministro André Mendonça, do STF, com o ex-governador Cláudio Castro. Os diálogos ocorreram em 11 de novembro de 2022 e trataram do caso do ex-governador Sérgio Cabral. Castro escreveu a Mendonça pedindo falar com urgência e mencionou o caso Cabral. Em seguida, encaminhou pedidos de habeas corpus e de alvará de soltura. Mendonça respondeu descrevendo o processo que mantinha Cabral preso preventivamente, mas pouco depois, disse que ligaria em alguns minutos e enviou um link para o processo no STF. O caso estava sob julgamento da Segunda Turma, da qual Mendonça fazia parte. O gabinete do ministro afirmou que ele não é amigo de Castro e que a relação sempre foi institucional. Também disse não haver registro de tratativa sobre o mérito do processo e assegurou que contatos com advogados, partes e terceiros não alteram o andamento dos processos. Castro também afirmou que sua relação com o ministro sempre se restringiu ao âmbito institucional e o processo envolvia suspeitas de pagamento de propina da Andrade Gutierrez ao ex-governador Sérgio Cabral que havia sido condenado a 14 anos e dois meses de prisão no caso. Em 24 de outubro de 2022, Mendonça havia pedido vista do processo após voto contrário de Edson Fachin e em 28 de novembro, devolveu os autos para julgamento. Em 9 de dezembro, Mendonça votou pela soltura de Cabral, alegando excesso de prazo da prisão. Em 16 de dezembro, por 3 votos a 2, o STF decidiu revogar a prisão preventiva e Cabral passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Mendonça não é investigado pelas conversas reveladas pela PF. As mensagens foram encontradas na Operação Sem Refino, que teve Castro como alvo. A operação investiga suspeitas relacionadas à concessão de licenças para a refinaria Refit. Os diálogos não esclarecem qual era exatamente o interesse de Castro na soltura de Cabral. A PF também questionou o tempo de análise de pedidos relacionados a investigações contra Castro. Segundo a corporação, pedidos contra Jaques Wagner levaram nove dias, enquanto os de Castro demoraram 74 dias. Em maio, a PF pediu buscas em outro endereço ligado a Castro, mas Mendonça negou inicialmente. As buscas nesse novo local foram autorizadas somente em agosto. O gabinete de Mendonça afirmou que suas decisões nos casos envolvendo Castro são públicas e fundamentadas nas provas, mas Castro negou categoricamente ter feito pedidos sobre processos judiciais a Mendonça ou a outros ministros do STF. Disse ainda que termos como “amigo”, “parceiro” e “irmão” são formas comuns de tratamento político. Segundo o ex-governador, essas expressões não comprovam amizade ou relação pessoal com o ministro.
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