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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

REBELDES CONTROLAM COSTA DO IÊMEN, NO MAR VERMELHO


Em ofensiva relâmpago, os houthis avançaram nesta sexta-feira (11) para controlar toda a costa do Iêmen no mar Vermelho e o estratégico estreito de Bab el-Mandeb. 
Os rebeldes apoiados pelo Irã tomaram cidades, vilarejos e ilhas da região, segundo relatos de seus rivais. Imagens de satélite também mostraram uma grande coluna de fumaça sobre o oleoduto que leva petróleo saudita ao porto de Yanbu. A estatal Aramco não confirmou a causa do incêndio, mas um eventual ataque houthi pode comprometer a principal rota alternativa ao estreito de Hormuz. O avanço começou nesta semana, com a chegada dos rebeldes a Mokha, principal porto da província de Taiz. Nesta sexta, eles tomaram Dhubab, a ilha de Perim e outras áreas costeiras e ilhotas. Os houthis acusaram forças sauditas de bombardear o aeroporto de Mokha, mas não houve confirmação independente. O governo iemenita, expulso de Sanaa pelos houthis em 2014, afirmou que suas forças recuaram para se reagrupar. Autoridades em Áden disseram que haverá uma contraofensiva, mas, por enquanto, a iniciativa permanece com os rebeldes. Os houthis estavam em cessar-fogo informal desde 2022, mas retomaram a guerra após medidas do governo apoiado por Riad. Desde julho, ataques contra cidades sauditas com mísseis se multiplicaram, enquanto os rebeldes reforçaram sua presença no oeste do Iêmen. Com cerca de 70% das exportações sauditas de petróleo sendo desviadas para o mar Vermelho, o preço do Brent voltou a superar US$ 100. Os houthis já haviam anunciado bloqueio ao comércio naval saudita na região, mas antes não controlavam o acesso direto a Bab el-Mandeb.

O domínio de Perim pode permitir ataques mais próximos e eficazes contra navios que atravessem o estreito. Se consolidarem o controle da passagem, os houthis também darão ao Irã uma importante carta de barganha nas negociações sobre o conflito. Teerã tenta negociar o fim da guerra com os Estados Unidos, enquanto Donald Trump afirma que o conflito terminará após as eleições de novembro. Não há, porém, sinais claros de que isso ocorrerá, apesar das sanções e dos ataques contra o Irã. A pressão sobre o petróleo diminuiu parcialmente após notícias de esforços diplomáticos para reabrir o tráfego no estreito de Hormuz. O Irã confirmou reunião em Omã para segunda-feira (14), numa tentativa de buscar uma saída negociada. Antes da guerra, Hormuz concentrava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente. Com o conflito, o tráfego caiu para cerca de 10% do fluxo habitual. Em Bab el-Mandeb, o impacto é menor, mas já afeta o transporte do petróleo saudita. A passagem também é fundamental para o comércio entre a China e a Europa, aumentando o interesse de Pequim na estabilidade da região. Os houthis dizem que pretendem manter livres as embarcações sem ligação com a Arábia Saudita, promessa de difícil execução. Até agora, os Estados Unidos não intervieram diretamente na nova escalada. Durante a guerra entre Israel e Hamas, Washington enviou navios de guerra e bombardeou posições houthis. O príncipe saudita Mohammed bin Salman teria ligado duas vezes para Trump na quinta-feira (10), pedindo intervenção americana. Segundo o Axios, Trump recusou e aposta numa desescalada natural do conflito. A continuidade dos ataques pode levar a Arábia Saudita a buscar apoio militar da Turquia e do Paquistão. A situação, porém, é complexa porque Islamabad também participa das tentativas de mediação entre Irã e Estados Unidos. 

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