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terça-feira, 1 de setembro de 2026

MEDICAMENTOS PARA PROMOVER A LONGEVIDADE


A capacidade intrínseca é uma métrica criada para avaliar, de forma ampla, o que uma pessoa consegue fazer com o corpo e a mente. 
O conceito considera força, mobilidade, cognição, sentidos, energia e bem-estar psicológico. A expressão foi formalmente definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2015. A proposta é mudar o foco da medicina, priorizando a preservação das capacidades funcionais. A avaliação considera cinco subdomínios: cognição, locomoção, capacidade sensorial, bem-estar psicológico e vitalidade.
Testes como força de preensão manual e velocidade da caminhada já são usados para avaliar idosos. Pesquisas indicam que a capacidade intrínseca está relacionada aos riscos de incapacidade e mortalidade. Seu principal valor, porém, pode estar no acompanhamento das mudanças ao longo do tempo. Isso permitiria identificar precocemente sinais de declínio e tentar retardá-los. Segundo especialistas, alterações podem ser percebidas mesmo em pessoas vigorosas e sem doenças. Atualmente, alguns testes são mais úteis para idosos, pois jovens saudáveis tendem a obter pontuações elevadas. Cientistas estudam medidas que possam avaliar também pessoas mais jovens. A capacidade intrínseca já está sendo investigada em ensaios clínicos. Na França, idosos respondem regularmente a questionários e recebem recomendações personalizadas. Quedas na pontuação podem levar a encaminhamento para médicos ou profissionais de enfermagem geriátrica. Ainda não há evidências de que essa estratégia aumente a longevidade.

Um estudo semelhante começou recentemente nos Estados Unidos, no Novo México. O conceito também integra um programa de pesquisa financiado pela ARPA-H. O objetivo é ajudar a desenvolver métodos para avaliar medicamentos destinados a prolongar a vida saudável. Atualmente, não existem medicamentos aprovados especificamente para promover a longevidade. Um dos problemas é que provar aumento da expectativa de vida exigiria estudos de várias décadas. Por isso, pesquisadores procuram indicadores capazes de medir o envelhecimento de maneira mais rápida. A capacidade intrínseca pode ser um desses indicadores. Outro obstáculo é que a FDA não considera o envelhecimento uma doença.
Em 2022, porém, a OMS incluiu o declínio da capacidade intrínseca associado ao envelhecimento na CID-11. Os cientistas querem verificar se a métrica realmente reflete como as pessoas funcionam, sentem-se ou quanto vivem. Também pretendem descobrir se exercícios e medicamentos podem melhorar essa capacidade. Entre os medicamentos estudados estão os agonistas de GLP-1, associados a possíveis benefícios para a longevidade. Se os resultados forem positivos, a métrica poderá auxiliar na aprovação de tratamentos contra o envelhecimento. Especialistas ressaltam, contudo, que ainda é necessário realizar pesquisas para confirmar se a estratégia funcionará. 

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