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domingo, 6 de setembro de 2026

RUSSOS TEMEM NOVO RECRUTAMENTO PARA A GUERRA COM A UCRÂNIA


Rumores sobre uma nova mobilização militar na Rússia passaram a afetar o cotidiano de muitos moradores de Moscou. 
Alguns relatam perda de sono, preocupação financeira e mudanças em decisões pessoais. O empresário Eradzh, 36, chegou a consultar uma inteligência artificial para avaliar o risco de convocação. Depois, decidiu comprar uma passagem para o Chipre e deixar o país por pelo menos dois meses. O temor envolve uma possível segunda onda de convocação, semelhante à realizada em setembro de 2022. Os rumores ganharam força antes das eleições parlamentares russas, marcadas para 20 de setembro. Informações sobre uma possível mobilização circulam em redes sociais, cafés, trens e locais de trabalho, apesar de desmentido do Kremlin, acerca da nova convocação. O presidente Vladimir Putin classificou os relatos como “completa bobagem” e um ataque de informação. Segundo Putin, a Rússia possui tropas suficientes e não há necessidade de mobilização. Muitos russos, entretanto, desconfiam das garantias oficiais devido a negativas anteriores que se mostraram falsas. Eles também citam relatos de métodos mais rigorosos de recrutamento em algumas regiões. Outro fator de preocupação é que o decreto de mobilização de 2022 continua tecnicamente em vigor. 

O presidente ucraniano Volodimir Zelenski afirmou que Moscou poderia convocar 300 mil pessoas após as eleições. Em 2022, centenas de milhares de russos deixaram o país após a primeira grande mobilização. A convocação provocou forte reação social e acabou sendo interrompida poucas semanas depois. Analistas avaliam, contudo, que a situação militar atual é diferente da registrada naquele período. O analista Dmitri Kuznets afirma que a Rússia ainda consegue recrutar mais pessoas do que perde no campo de batalha. Ele também avalia que o governo não teria recursos para financiar uma nova mobilização em larga escala, além de forte reação popular contra o Kremlin. Mesmo assim, a incerteza tem levado russos a deixar o país ou retirar dinheiro de suas contas. Alexander, 36, ex-integrante de uma unidade especial, viajou para a Tailândia com a mulher. Ele afirmou temer um risco elevado de convocação e disse estar cansado de perder o sono com a possibilidade. O engenheiro Ilia, 26, também decidiu sair da Rússia, citando fatores políticos e econômicos. Outros moradores afirmam não ter dinheiro para abandonar o país e buscam alternativas para se proteger. Alguns tentam obter residência oficial em Moscou, considerada por muitos uma forma de proteção contra a convocação. Outros retiram recursos dos bancos com medo de possíveis bloqueios financeiros.
A digitalização do sistema de recrutamento também aumentou a preocupação entre os russos. Convocações podem ser enviadas eletronicamente, com restrições automáticas para quem não comparecer. Diante da incerteza, muitos russos continuam sem saber se devem permanecer no país ou partir. 

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