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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

BRASIL PODE EXPORTAR ADICIONAL DE 40% DE CARNE BOVINA PARA EUA


A nova cota de importação de carne bovina aberta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode garantir ao Brasil até 40% do volume adicional que os americanos pretendem comprar nos próximos 90 dias. 
A estimativa é que os frigoríficos brasileiros forneçam entre 90 mil e 120 mil toneladas das 300 mil toneladas autorizadas pelo governo americano. A medida busca ampliar a oferta de carne nos Estados Unidos e reduzir os preços, principalmente da carne moída usada em hambúrgueres. Os Estados Unidos enfrentam redução do rebanho bovino, diminuindo a oferta e pressionando os preços. Como a recuperação do rebanho leva tempo, o país recorre às importações para aumentar a oferta no curto prazo. Segundo Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, o tamanho da indústria brasileira e o número de frigoríficos habilitados a exportar aos EUA colocam o Brasil em posição favorável. A nova cota é diferente da regra atual, pela qual o Brasil participa de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas sem tarifa extra. Esse volume, segundo Iglesias, foi totalmente utilizado em apenas 15 dias. Depois disso, a carne brasileira continua entrando nos EUA, mas paga tarifa adicional de 26,4%. De janeiro a agosto, os Estados Unidos compraram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, gerando US$ 1,74 bilhão, alta de 28,7% sobre o mesmo período de 2025. A nova medida abre, por 90 dias, cota adicional de até 300 mil toneladas sem essa cobrança. Nem todos os principais fornecedores disputarão diretamente esse espaço. A Argentina já possui cotas próprias, enquanto Paraguai e países da América Central aparecem como concorrentes mais diretos.

O Brasil, porém, tem vantagem pela capacidade industrial e pela quantidade de frigoríficos credenciados. As 300 mil toneladas não serão divididas automaticamente. Cada exportador terá de conquistar espaço, e preço e capacidade de fornecimento serão decisivos. A demanda americana está concentrada nos chamados trimmings, pedaços retirados durante o processamento da carcaça e usados na produção de carne moída. Esse fator pode limitar o interesse dos frigoríficos brasileiros, já que o produto tem menor valor agregado. As empresas precisam comparar o preço oferecido pelos americanos, os custos de exportação e o retorno obtido em outros mercados. Segundo Iglesias, os frigoríficos ainda fazem essas contas. Uma alta excessiva dos preços pode reduzir o interesse dos compradores americanos e comprometer o objetivo de ampliar a oferta de carne a preços mais baixos. 

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