A defesa de Flávio Bolsonaro pediu ao STF, ao menos quatro vezes, que o caso “Dark Horse” ficasse concentrado com o ministro André Mendonça. Os advogados tentaram retirar do ministro Flávio Dino parte da investigação sobre o filme que retrata Jair Bolsonaro. Mendonça já era relator de outras duas petições relacionadas ao caso. Segundo a defesa, a distribuição para Dino teria ocorrido por causa da ligação da investigação com emendas parlamentares. Os advogados acusam o STF de ter criado uma “prevenção artificial” para manter Dino no caso. Os pedidos foram apresentados entre 13 e 29 de julho, alguns ao presidente do STF, Edson Fachin, e outros ao próprio Dino. Em documento de 28 de julho, a defesa afirmou que houve manipulação das regras de competência. Para os advogados, os requerimentos deveriam ter sido distribuídos por prevenção a Mendonça. A defesa destacou que, de seis ações anteriores relacionadas à investigação, cinco estavam com Mendonça, daí o pedido para indicação do ministro apontado por Jair Bolsonaro para assumir também a sexta ação. O processo em questão, porém, permaneceu sob relatoria de Dino. Nesta quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou operação contra 29 pessoas ligadas à apuração. A investigação envolve o suposto envio de emendas parlamentares para a produtora do filme. A operação foi autorizada por Dino justamente no processo que a defesa tentou transferir para Mendonça. O caso chegou ao STF por meio da ADPF 854, apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
O filme se tornou um dos principais focos de desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio. A situação piorou após áudios em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teria sido procurado para ajudar a concluir a produção do longa. Flávio afirma publicamente que não houve uso de dinheiro público no financiamento do filme. A defesa sustenta que a distribuição dos processos para Dino foi equivocada. Em uma das petições, os advogados dizem que apenas uma das seis ações ficou fora da relatoria de Mendonça. Segundo eles, isso ocorreu devido ao protocolo dos pedidos dentro da ADPF 854. A investigação também alcança empresas ligadas à produtora responsável pelo filme. Segundo a Folha, empresas controladas pela dona da Go Up receberam recursos de emendas de deputados do PL. Uma dessas empresas também assinou contrato superior a R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O contrato previa o fornecimento de serviço de wi-fi. Tabata Amaral e o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) questionam a destinação das emendas, afirmando que pode ter ocorrido desvio de finalidade na utilização dos recursos. Os parlamentares também apontam possível descumprimento das regras de transparência e rastreabilidade determinadas pelo STF. A disputa sobre a relatoria ganhou importância após a operação da Polícia Federal e ampliou a pressão sobre Flávio Bolsonaro.
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