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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

QUESTIONAMENTOS SOBRE ACORDO DA VENEZUELA COM EUA


A Casa Branca anunciou, no fim de agosto, um acordo pelo qual a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concede a empresas americanas prioridade na exploração de campos petrolíferos. 
As áreas possuem reservas estimadas em 65 bilhões de barris, cerca de 20% das reservas comprovadas da Venezuela, as maiores do mundo. Donald Trump comemorou o acordo, afirmando que os EUA estariam “dobrando nossas reservas”. O anúncio ocorre em meio à alta do petróleo provocada pela guerra entre EUA, Israel e Irã, pressionando também os preços da gasolina. A elevação dos combustíveis preocupa o Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas americanas. Embora Trump tenha celebrado a queda recente das cotações, faltam detalhes sobre os termos do acordo. A Casa Branca prevê investimentos de US$ 100 bilhões e o dobro desse valor em receitas tributárias para a Venezuela. As concessões poderão durar até 100 anos, o que provoca dúvidas entre empresas petrolíferas americanas e setores venezuelanos. No chavismo, há temor de perda da soberania nacional e críticas à aproximação com Washington. Entre opositores, cresce a suspeita de que o acordo possa prolongar a sobrevivência do regime venezuelano. Isso ocorre após a captura, pelos EUA, do ex-presidente Nicolás Maduro no início do ano. A cientista política María Isabel Puerta compara a situação venezuelana a um regime de protetorado. Para ela, porém, trata-se principalmente de uma tutela sobre Delcy Rodríguez. Segundo Puerta, o governo interino estaria sendo utilizado por Trump para facilitar negócios favoráveis aos EUA.

O professor Roberto Uebel prefere o termo “tutela”, devido às implicações jurídicas de “protetorado”. Ele destaca a forte ingerência americana sobre o petróleo, os ativos e os fluxos financeiros venezuelanos. Formalmente, a soberania do país permanece, mas é limitada pela enorme assimetria de poder com Washington. Os especialistas consideram o acordo uma encruzilhada para o chavismo e seus herdeiros políticos. O partido governista aprovou o acordo na Assembleia Nacional, apesar da antiga retórica anti-imperialista. Para Puerta, a aliança entre Trump e Delcy é ideologicamente contraditória e pode enfraquecer o chavismo.
Uebel também vê riscos de fissuras internas e desgaste eleitoral no futuro. O comando militar e Diosdado Cabello, aliado histórico de Maduro e Hugo Chávez, têm apoiado Delcy até agora.
Mas a mudança de postura pode gerar conflitos dentro do movimento chavista. O ex-presidente da PDVSA Rafael Ramírez condenou o acordo como “entreguista” e associado a um novo colonialismo americano. No campo opositor, o economista Ricardo Hausmann também criticou duramente a iniciativa. Professor de Harvard e conhecido antichavista, Hausmann dirigiu suas críticas ao secretário de Estado Marco Rubio. Ele acusou os EUA de se aliarem aos antigos opressores dos venezuelanos. Para Hausmann, Washington deveria priorizar a restauração da ordem constitucional e da democracia. O acordo, segundo ele, representa uma apropriação de ativos e uma parceria com um governo que considera ilegítimo.
Assim, a exploração do petróleo venezuelano amplia a influência americana, mas também aprofunda as divisões políticas no país.

 

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