Trabalhadores dos Correios aprovaram greve por tempo indeterminado em assembleias realizadas ontem, 10, em todo o país. Segundo a Findect, 35 assembleias haviam aprovado a paralisação até o início do movimento, às 22h. No Acre, a votação está prevista para o fim da tarde de hoje, 11. A categoria rejeitou a proposta apresentada pela empresa durante as negociações salariais e foram adotadas as medidas para manter os serviços e reduzir impactos aos clientes. Entre as ações estão o remanejamento de equipes e o reforço das atividades operacionais e logísticas. A empresa diz ter buscado uma solução negociada durante as tratativas com os trabalhadores, mas a proposta contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. Entre os pontos oferecidos estavam reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios. A proposta também previa a manutenção da assistência à saúde dos empregados. A empresa reafirmou compromisso com a valorização dos funcionários e os serviços postais. Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes. A Findect afirma que os trabalhadores rejeitam mudanças na condição dos Correios como mantenedores do plano. A decisão ocorreu após rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A greve acontece em meio a dificuldades financeiras enfrentadas pela estatal.
Na quinta-feira, os Correios pediram ao Tesouro Nacional garantia para contratar novo empréstimo de R$ 7 bilhões. O crédito será contratado com ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. A operação terá custo de 114,26% do CDI e prazo de 15 anos, com três anos de carência. O pedido de garantia ainda está em análise pelo Tesouro Nacional e se o aval for concedido, a União assumirá os pagamentos em caso de inadimplência dos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre deste ano. O novo financiamento integra o plano de reestruturação financeira da estatal. Os Correios já contrataram empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025. Além disso, está prevista a entrada de outros R$ 6 bilhões em recursos da União em 2027. A situação financeira aumenta a pressão sobre a empresa durante a paralisação nacional. Os trabalhadores, por sua vez, mantêm a reivindicação de mudanças na proposta apresentada. A duração da greve dependerá das negociações entre a categoria e a direção dos Correios. A empresa informou que divulgará novas informações sobre a prestação dos serviços enquanto o movimento poderá afetar a rotina de entregas e atendimento em diferentes regiões do país. As negociações devem continuar durante a paralisação, diante do impasse entre as partes.
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