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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

PRESIDENTE ARGENTINO TRATA JORNALISTAS COMO "MERDA HUMANA"


O jornalista argentino Fabián Waldman afirma que Javier Milei é o presidente que mais entrou em conflito com a imprensa em 40 anos de democracia no país. 
Desde 2022, a Argentina caiu 69 posições no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteiras, ficando em 98º lugar entre 180 países. O cenário se repete em outros países latino-americanos governados pela ultradireita. Na Argentina, Milei voltou a atacar jornalistas nas últimas semanas, inclusive Marcelo Bonelli, chamado de “merda humana” após criticar o governo. A Adepa registrou, entre 17 e 23 de agosto, 335 mensagens contra a imprensa republicadas pelo presidente no X. Também contabilizou 26 mensagens próprias e 21 menções depreciativas ao jornalismo em aparições públicas. Levantamento do Chequeado apontou 1.051 insultos de Milei até fevereiro de 2025, média de 2,4 ofensas por dia. O presidente costuma chamar jornalistas de “merda humana” e usa a expressão NOLSALP, contra os profissionais da imprensa. Além dos ataques verbais, jornalistas passaram a enfrentar restrições na Casa Rosada. O governo impede que acompanhem a entrada e saída do presidente e limita a circulação dos profissionais pelo prédio. Segundo Waldman, jornalistas tinham acesso às áreas comuns da sede presidencial desde 1940. Fernando Stanich, do Fopea, confirma dificuldades para obter informações e falar com autoridades.

Um dos episódios mais graves foi a interdição da sala dos jornalistas durante 11 dias. A medida ocorreu depois que a emissora Todo Noticias divulgou imagens internas da Casa Rosada feitas com óculos inteligentes. Waldman afirma que o acesso ao presidente já era restrito antes do episódio. Ele lembra que, em junho de 2024, Milei entrou na sala de imprensa para ofendê-lo publicamente. A Casa Rosada não respondeu aos questionamentos sobre a relação com os jornalistas. O governo alegou, na época da interdição, preocupação com a segurança nacional. Apesar da deterioração, a Argentina ainda não apresenta a pior situação da região. Em El Salvador, pelo menos 40 jornalistas deixaram o país desde a chegada de Nayib Bukele ao poder. O país também caiu 74 posições no ranking da RSF desde 2019. No Equador, Daniel Noboa registrou a maior queda latino-americana no índice em 2026, perdendo 31 posições. Os líderes desses países têm em comum a aproximação com Donald Trump. Segundo a RSF, o governo americano promove interferência política na propriedade dos meios de comunicação e investigações contra jornalistas. Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella também enfrenta críticas por restringir o acesso da imprensa. Durante sua atuação como advogado, ele apresentou 109 denúncias penais contra jornalistas entre 2018 e 2020. Seu governo passou a exigir autorização para ministros e funcionários concederem entrevistas. A imprensa também relata seleção de veículos autorizados a participar de entrevistas coletivas com autoridades. Para Sofía Jaramillo, da Fundação para Liberdade da Imprensa, a centralização das informações pode ampliar o controle sobre a mídia. Ela ressalta que, na Colômbia, jornalistas estão ainda mais vulneráveis às pressões econômicas. 

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