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domingo, 6 de setembro de 2026

EXTREMA DIREITA ESPERA VITÓRIA HISTÓRICA NA ALEMANHA


Os eleitores da Saxônia-Anhalt, na Alemanha Oriental, podem dar neste domingo uma vitória histórica à extrema direita. 
A possível ascensão da AfD é atribuída, em parte, às persistentes diferenças entre leste e oeste do país. Segundo Elisabeth Kaiser, comissária do governo federal para a Alemanha Oriental, essas desigualdades ainda pesam politicamente. Se conquistar maioria absoluta, a AfD será a primeira legenda de extrema direita a governar um estado alemão desde 1945. Kaiser afirma que a identidade política das antigas regiões comunistas continua sendo um fator distintivo. Desde a reunificação, em 1990, investimentos cresceram e o desemprego caiu significativamente no leste. Apesar disso, grandes diferenças de riqueza entre as regiões não foram superadas. Experiências negativas com privatizações e mudanças econômicas alimentaram ressentimentos e o êxodo populacional dos anos 1990 e 2000 também deixou sensação de abandono entre os moradores. Nesse cenário, a AfD explora um discurso de revanchismo e insatisfação e o fechamento das fronteiras é uma das principais bandeiras do partido, encontrando forte apoio no leste. A região possui menos imigrantes que o restante da Alemanha e teve historicamente menor contato com estrangeiros. Kaiser destaca que a antiga Alemanha Oriental não era uma sociedade de imigração e apresentava forte racismo. Mesmo assim, a imigração é considerada essencial para a economia e os serviços públicos.

Em Saxônia-Anhalt, um em cada cinco médicos é imigrante ou tem origem imigrante. A comissária também alerta para a idealização do passado comunista, conhecida como “Ostalgie”. Em períodos de crise, parte da população tende a recordar apenas os aspectos positivos daquele período. A motocicleta Simson, símbolo da antiga Alemanha Oriental, aparece na campanha da AfD. Para Kaiser, ela representava liberdade por permitir maior mobilidade aos cidadãos. Eleitores mais velhos também associam o regime comunista à segurança e estabilidade. A AfD defende ainda aproximação com a Rússia e encontra receptividade em áreas marcadas por forte antiamericanismo. Kaiser considera desastrosa qualquer tentativa de ampliar a divisão entre leste e oeste. Ela critica propostas de encerrar subsídios destinados a reduzir as diferenças regionais. O fim da sobretaxa conhecida como “Soli” é defendido por setores conservadores. Para Kaiser, cortar esses recursos reforçaria o discurso de vitimização utilizado pela AfD. Ela afirma que o avanço do partido deve servir de alerta para toda a Alemanha, embora ainda distante de governar estados no oeste, a AfD também registra avanços eleitorais nessas regiões. O resultado na Saxônia-Anhalt poderá, portanto, revelar a força da extrema direita no país. 

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