A rotina do pedreiro Edilson Takahara, 49, mudou desde quinta-feira (3). Conhecido por fazer a própria defesa no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, em Manaus, ele ganhou uma bolsa integral para cursar Direito em uma faculdade da capital amazonense. Takahara fez sua sustentação oral em 17 de agosto e foi elogiado pelos desembargadores. Ele buscava o reconhecimento de vínculo empregatício com uma construtora. Após a repercussão do caso, foi convidado a falar para estudantes de Direito da Famec. No fim do encontro, recebeu a proposta de estudar na instituição com bolsa integral. Inicialmente, pensou em recusar, pois não pretendia seguir carreira jurídica. Mudou de ideia ao saber que o curso poderia abrir caminhos para outras profissões. Entre as possibilidades, estão as carreiras de delegado, juiz e promotor. As aulas serão à noite e exigirão mudanças em sua rotina como pedreiro. Ele pretende trabalhar até as 14h para conseguir frequentar a faculdade. Apesar disso, não pensa em abandonar a construção civil. Takahara afirma ter ideias para desenvolver novos projetos no setor. Segundo ele, falta apenas investimento para colocá-las em prática. Também acredita que a faculdade poderá ampliar sua rede de contatos profissionais e pretende continuar realizando pequenas reformas e obras normalmente. A experiência no processo trabalhista começou depois que um advogado perdeu prazos. Com isso, Takahara decidiu assumir a própria defesa usando o chamado jus postulandi. O mecanismo permite atuar pessoalmente na Justiça do Trabalho sem advogado.
A primeira sentença reconheceu vínculo entre setembro de 2023 e abril de 2024. A empresa foi condenada ao pagamento de verbas trabalhistas, como férias e 13º salário. Depois, Takahara teve dificuldade para acompanhar o recurso apresentado pela empresa. Ele comprou um computador e obteve certificado digital para acessar o processo. Para a sustentação, também adquiriu roupa social e sapatos. Na tribuna, admitiu ter sentido medo e vergonha diante dos desembargadores. Disse que estudou o básico da CLT e se preparou para defender seus argumentos. O relator Sandro Nahmias Melo elogiou seu esforço e a qualidade da sustentação.
O colegiado manteve a decisão de primeira instância e negou os recursos das partes. Takahara afirma que sua história mostra que dedicação e vontade de aprender podem superar dificuldades.
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