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terça-feira, 1 de setembro de 2026

MENINAS, NO AFEGANISTÃO, SÃO IMPEDIDAS DE CURSAR O SECUNDÁRIO


Ayesha, de 18 anos, frequenta uma escola secreta seis dias por semana para evitar o isolamento imposto pelo regime do Talibã. 
Ela sonhava estudar psicologia na universidade, mas o Talibã proibiu, em 2022, a educação formal para meninas após o sexto ano. Milhares de escolas clandestinas funcionam escondidas pelo Afeganistão. Cinco anos após o retorno do grupo ao poder, cerca de 2,5 milhões de meninas estão impedidas de cursar o ensino secundário. As estudantes podem estudar em casa ou em escolas religiosas, mas correm risco de prisão ao frequentar aulas secretas. Algumas tentam ser reprovadas no sexto ano para permanecer na escola por mais tempo. Professores, pais e diretores mantêm as escolas clandestinas em funcionamento, apesar dos riscos. Muitos temem danos permanentes às meninas e à sociedade afegã. Mesmo quem conclui os estudos encontra poucas perspectivas, pois o Talibã restringe o trabalho feminino. Professores e organizações humanitárias relatam aumento de pensamentos suicidas, automutilação e casamentos de menores. Ainda assim, algumas jovens insistem em lutar pela educação. Ayesha afirma que as meninas também fazem parte da sociedade e querem decidir seu próprio futuro. Sua amiga Zuhal chegou a abandonar as aulas após sofrer agressões do pai. Ayesha a convenceu a voltar, mas Zuhal só podia frequentar a escola quando o pai estava fora. A sala de Ayesha funciona escondida dentro de uma escola primária oficial.

As alunas mudam os trajetos e evitam andar em grupos para não serem descobertas. Em uma invasão do Talibã, a diretora trancou 14 estudantes na sala durante uma prova. Pouquíssimas meninas conseguem acesso a esse tipo de educação clandestina. Ayesha sabe que não poderá estudar psicologia em uma universidade afegã. Sua vida social também terminará quando concluir o ensino médio, pois não existem escolas secretas para depois dessa etapa. O Talibã destaca que a matrícula de meninas no ensino primário subiu de 78% em 2021 para 87% em 2024. A melhora ocorreu principalmente após o fim da guerra e a retirada dos Estados Unidos, em 2021. Apesar disso, nove em cada dez crianças afegãs de 10 anos não conseguem ler adequadamente. Apenas uma em cada quatro mulheres afegãs é alfabetizada. Laila, de 21 anos, viajou mais de 800 km para estudar computação e idiomas em uma escola secreta. Ela também participa de aulas online com voluntários de vários países. Laila fala quatro idiomas e espera estudar design gráfico no Canadá ou na Coreia do Sul. Durante seu primeiro governo, entre 1996 e 2001, o Talibã já havia proibido a educação de meninas. Após voltar ao poder em 2021, manteve a promessa de que a proibição seria temporária. Cinco anos depois, porém, a medida parece novamente permanente. Meninas como Somaya e Fatima tentam repetir o sexto ano para continuar estudando. Professores também sofrem ao ver suas alunas abandonarem a escola. Tasnim, professora e mãe, conseguiu matricular a filha em uma turma clandestina. O certificado diz que ela foi promovida ao sétimo ano, mas a realidade é cruel: “não existe 7º ano”. 

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