Diante do imbróglio criado com o desentendimento entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o ministro Gilmar Mendes, do STF, propôs ao presidente da Corte, Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal sejam proibidos de atuar nos gabinetes dos ministros. A proposta já era defendida por Gilmar desde o início da crise entre o ministro André Mendonça e a direção-geral da PF. A discussão ganhou força após a divulgação de diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes. Atualmente, seis delegados da PF estão cedidos ao Supremo. Dois atuam com Mendonça nos casos Master e INSS, dois com Moraes, um com Luiz Fux e outro na área de segurança. Gilmar avalia que a presença de delegados nos gabinetes pode interferir na condução das investigações. Segundo ele, policiais poderiam buscar novas posições na carreira ou vantagens políticas. Em junho, o governo Lula pediu a diversos órgãos a devolução de policiais federais cedidos, mas o STF foi mantido como exceção. Gilmar já havia tratado do assunto com Fachin há cerca de duas semanas e deve voltar a discutir a questão nesta quinta-feira (3). Fachin também tem conversado individualmente com os ministros sobre a crise envolvendo Moraes, Vorcaro e Mendonça. O presidente do STF considera a situação inédita e defende prudência para preservar a instituição. Um ministro chegou a alertar Fachin sobre a possibilidade de Mendonça estar sendo influenciado pelos delegados lotados em seu gabinete.
Mendonça, porém, afirma agir com cautela e independência para garantir a integridade das investigações e o devido processo legal. Aliados de Moraes acusam Mendonça de ter atropelado procedimentos ao determinar investigação envolvendo um ministro do STF sem decisão prévia do plenário. O grupo também prepara críticas aos métodos adotados pelo relator, comparando-os aos da Operação Lava Jato. Entre os pontos que podem ser questionados estão uma reunião de um juiz auxiliar de Mendonça com Vorcaro sem a PF e supostos vazamentos de informações sigilosas. A defesa de Mendonça afirma que não houve ato investigatório, mas apenas uma ordem para identificar o interlocutor de Vorcaro. Ao levantar o sigilo das mensagens, Mendonça afirmou que o plenário do STF é o caminho inevitável para discutir o caso.
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