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sábado, 12 de setembro de 2026

VIOLÊNCIA CONTRA INDÍGENAS AGRAVOU NO BRASIL


A violência contra os povos indígenas se agravou no Brasil, segundo o relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre 2025. 
Ignorar esses números significa permitir que a violência contra os povos indígenas continue. Foram registrados 258 assassinatos de indígenas, aumento de 22% em relação a 2024. Entre as crianças de até 4 anos, 1.024 morreram, sendo 57% por causas evitáveis. Desnutrição e doenças respiratórias estão entre os principais fatores dessas mortes. Também foram registrados 215 suicídios, principalmente entre jovens indígenas. O cenário revela uma tragédia agravada por omissões do poder público e conflitos territoriais. A demora nos processos de demarcação mantém comunidades indígenas em situação de vulnerabilidade. Retomadas de territórios tradicionais passaram a ser alvo de milícias privadas e grupos criminosos. Garimpo ilegal, extração de madeira e grilagem ampliam a pressão sobre as terras indígenas. O avanço do crime organizado também intensifica os conflitos dentro desses territórios. A precariedade dos serviços públicos agrava a situação das comunidades. Faltam equipes de saúde, saneamento, infraestrutura e água potável em diversas aldeias. O Cimi aponta ainda que a Lei do Marco Temporal aprofundou a insegurança jurídica. Dos 1.443 territórios indígenas mapeados, 897, ou 62%, possuem pendências administrativas. Em 582 deles, sequer houve providência administrativa inicial.

Roraima, com 82 homicídios, lidera os registros, seguido por Amazonas, com 47. Mato Grosso do Sul aparece em terceiro lugar, com 37 assassinatos. A violência também atinge de forma crescente as mulheres indígenas. Segundo o Conselho Nacional de Direitos Humanos, ela aumentou 258% entre 2014 e 2023. Cerca de 79% das vítimas de violência sexual eram menores de idade. O relatório também alerta para a impunidade e a ausência de proteção efetiva pelo Estado. A demora nas demarcações contribui para a continuidade dos conflitos e das mortes. A situação coloca em risco direitos assegurados pela Constituição de 1988. O Marco Temporal é apontado como fator de agravamento da insegurança sobre os territórios. É urgente acelerar as demarcações e garantir proteção às comunidades indígenas. Também é necessária a responsabilização de agentes públicos e privados envolvidos na violência.

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