O governo do Reino Unido reagiu nesta ontem, 4, às declarações do presidente argentino, Javier Milei, sobre as Ilhas Malvinas. Na véspera, Milei anunciou a construção de uma base naval na Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina. A medida ocorre em meio à disputa de soberania pelo arquipélago, controlado pelo Reino Unido. Milei também afirmou que pretende punir empresas envolvidas na exploração de petróleo na região. As Malvinas são disputadas pelos dois países há décadas, inclusive após a guerra de 1982. O conflito terminou com a rendição argentina e a permanência britânica nas ilhas. O ministro britânico da Defesa, Wes Streeting, afirmou que “as Falklands são britânicas”. Segundo ele, os habitantes escolheram permanecer britânicos e o compromisso do Reino Unido é “absoluto”. Streeting também disse que as declarações de Milei refletem mais a política interna argentina. A disputa ganhou força após Donald Trump ameaçar intervir na questão das Malvinas. O presidente americano teria sinalizado que pode rever a posição tradicional dos EUA sobre a soberania. Trump também criticou o Reino Unido por seus gastos militares e sua atuação na guerra do Irã. Milei afirmou que os “ventos de mudança” favorecem a reivindicação argentina. O presidente argentino também rejeitou o direito dos moradores das ilhas à autodeterminação. Ele defendeu a nova base naval como forma de reforçar a presença militar argentina na região.
Outro ponto de tensão é a exploração de petróleo próxima às Malvinas. O campo Sea Lion fica a cerca de 225 quilômetros ao norte do arquipélago. A área é operada pela israelense Navitas Petroleum e pela britânica Rockhopper Exploration. A Argentina considera ilegal a exploração de petróleo nas proximidades das ilhas. O campo pode conter cerca de 1,7 bilhão de barris de petróleo. As ações da Rockhopper caíram 6% nesta sexta-feira, e as da Navitas recuaram 2%. As empresas afirmam possuir licenças válidas para a exploração petrolífera. A disputa de soberania é reconhecida por resolução da ONU de 1965. O documento recomenda que Argentina e Reino Unido evitem decisões unilaterais e busquem solução diplomática. Analistas alertam que Trump pode usar a questão para pressionar o Reino Unido. A expectativa de mudança na posição americana, portanto, deve ser tratada com cautela. Milei adota agora tom mais confrontador, após defender anteriormente a via diplomática. O endurecimento ocorre em meio à queda de popularidade do presidente argentino. Pesquisas citadas apontam 34% de aprovação e 55% de desaprovação ao governo. Apesar das divergências políticas, existe amplo consenso argentino sobre a reivindicação de soberania das Malvinas.
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