O ministro André Mendonça, por determinação do presidente do STF, Edson Fachin, levantou na noite de ontem, 10, o sigilo de 14 procedimentos relacionados ao escândalo do Banco Master. Mendonça, porém, manteve em segredo investigações que poderiam comprometer futuras operações e diligências, entre as quais a apuração sobre recursos de Daniel Vorcaro destinados a um fundo nos Estados Unidos para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Também permaneceram sob sigilo a investigação sobre a relação do senador Jaques Wagner com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Outra investigação preservada trata de informações da PF sobre Antônio Rueda e ACM Neto, encaminhadas ao ministro Alexandre de Moraes. Já os documentos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro foram tornados públicos, embora parte deles já tivesse sido liberada na semana anterior. Entre os 14 procedimentos divulgados estão dois dos principais inquéritos sobre a engenharia financeira que resultou no rombo bilionário do Banco Master e o principal é o inquérito 5026, da Operação Compliance Zero, inicialmente relatado por Dias Toffoli. O processo foi remetido ao STF após a investigação que tramitava na Justiça Federal contra Vorcaro e outros suspeitos.
A partir dele foram abertas outras frentes de investigação. Cinco procedimentos agora públicos tratam direta ou indiretamente das prisões e buscas contra integrantes da chamada “A Turma”.
O grupo teria sido utilizado por Vorcaro para intimidar e perseguir adversários e desafetos. Mendonça também levantou o sigilo da investigação sobre o chamado “Projeto DV”, envolvendo influenciadores.
Segundo a PF, o objetivo seria influenciar a percepção pública sobre Vorcaro e o Banco Master. Documentos liberados também apontam pagamentos de viagens e jantares internacionais por Vorcaro para servidores do Banco Central. Os servidores são acusados de atuar para favorecer o Banco Master. A PF afirma que Vorcaro custeou parte da viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, e sua esposa a Paris. Também teria financiado viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza para a Disney, nos Estados Unidos. Segundo a investigação, Vorcaro teria tratado diretamente com prestadores de serviços para organizar a viagem a Paris. A PF relata que ele cuidou de reservas, restaurantes, recepção e logística, inclusive fornecendo o contato pessoal do servidor.
A decisão de Fachin ocorre às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro. O plenário deverá analisar a controvérsia sobre relatório da PF que revelou diálogos entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. A PGR questiona a validade dessa parte da investigação e pediu a nulidade do relatório. Para Fachin, o levantamento do sigilo permitirá aos demais ministros conhecerem o conjunto de informações antes da sessão.
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