O ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusou o ministro André Mendonça de crime de responsabilidade, usando o inquérito das fake news. A iniciativa amplia a crise interna no Supremo, considerada sem precedentes. A acusação ocorreu após Mendonça determinar a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento contém diálogos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nos quais Moraes é citado. Segundo Moraes, haveria indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça. As acusações estão relacionadas à condução de investigações sobre fraudes no Banco Master e descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Moraes citou relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal. Segundo ele, Mendonça teria praticado condutas que comprometeriam a imparcialidade judicial. O ministro também afirmou que teria ocorrido favorecimento a determinados grupos políticos. Entre as acusações estão a suposta interferência na direção das investigações policiais e problemas na preservação da cadeia de custódia. Moraes também apontou irregularidades nas tratativas de eventual colaboração premiada. Outra acusação envolve o suposto direcionamento de investigações contra Moraes e o senador Davi Alcolumbre. De acordo com Moraes, Mendonça teria determinado diligências contra ele sem observar os procedimentos legais. O ministro afirmou ainda que uma dessas diligências teria sido determinada sem assinatura de decisão judicial. Também alegou que a Procuradoria-Geral da República não teria sido comunicada adequadamente.
As acusações podem, em tese, levar à abertura de processo de impeachment contra Mendonça.
O processo de impedimento de ministros do STF é conduzido pelo Senado, conforme a Lei 1.079/50. Para eventual investigação criminal, porém, é necessário aval do plenário do Supremo, segundo o regimento da Corte. Moraes comunicou formalmente sua decisão ao presidente do STF, Edson Fachin. Horas depois, Fachin determinou que Moraes e Mendonça apresentem explicações em cinco dias úteis. O prazo também foi estendido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Fachin quer esclarecimentos sobre a legalidade dos procedimentos adotados nos inquéritos. O presidente do STF questionou ainda o cumprimento das regras envolvendo autoridades com foro. Também pediu informações sobre possível acesso indevido a documentos particulares e divulgação de informações protegidas por sigilo judicial. Fachin ainda questionou se foram adotadas medidas para garantir as prerrogativas previstas na Lei da Magistratura. O procedimento havia sido aberto para apurar eventual envolvimento de Moraes no caso Banco Master, após pedido de Mendonça. Segundo fontes do Supremo, Fachin ainda não tinha conhecimento da iniciativa de Moraes quando elaborou seu despacho. O episódio expõe um forte confronto entre dois ministros da mais alta Corte do país.
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