Um dirigente do Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, alertou que a recente venda de títulos do Tesouro americano mostra a necessidade de reforçar a credibilidade da instituição no combate à inflação, inclusive com novos aumentos dos juros. Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, afirmou ao Financial Times que os mercados enviaram um recado claro e que o banco central deve responder com comunicação eficiente e ações quando necessário. Os rendimentos dos títulos de 30 anos atingiram 5,28%, maior nível desde 2007, refletindo preocupações com a inflação agravada pela guerra entre EUA e Irã. Apesar disso, o Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva, mesmo com a inflação acima da meta de 2%. Musalem disse que preferia uma alta de 0,25 ponto percentual e defendeu uma reação antecipada para evitar medidas mais drásticas no futuro.
Outros dirigentes regionais do Fed também apoiaram um aumento dos juros e alertaram que adiar decisões pode exigir ajustes maiores adiante. O mercado espera uma elevação de 0,25 ponto em setembro. Embora a inflação medida pelo índice PCE tenha recuado de 4,1% para 3,7%, a alta do petróleo, das tarifas de importação, dos investimentos em IA e do consumo continua pressionando os preços. Musalem rejeitou a ideia de que o Fed esteja deixando os mercados conduzirem a política monetária e ressaltou que a responsabilidade pela estabilidade de preços é exclusiva do banco central. Ele também defendeu maior clareza na comunicação das decisões para que empresas, famílias e investidores compreendam a estratégia adotada pelo Fed.
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