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domingo, 2 de agosto de 2026

IMIGRANTES EM CEUTA RETORNAM AO MARROCOS


A entrada de milhares de imigrantes em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, desencadeou uma crise entre Espanha, Marrocos e União Europeia. A UE convocou reunião de emergência para terça-feira (4), enquanto o número de mortos na travessia chegou a 67. Ontem, 1º, o fluxo se inverteu: centenas de migrantes retornaram ao Marrocos. Segundo o governo espanhol, cerca de 48 mil pessoas voltaram voluntariamente após encontrarem Ceuta sem abrigo, comércio ou perspectiva de asilo. Com apenas 80 mil habitantes, a cidade recebeu mais de 50 mil imigrantes em poucos dias. Muitos partiram de Fnideq, no Marrocos, escalando a cerca da fronteira ou enfrentando 5 km de mar a nado ou em botes precários. Embora o Marrocos não esteja em guerra, o desemprego entre jovens se aproxima de 40%, tornando Ceuta uma porta de entrada para a Europa. A Espanha instalou boias de contenção para dificultar novas travessias, medida considerada tardia por agentes de segurança.

Madri atribui a onda migratória à ação de traficantes que espalharam rumores nas redes sociais e há relatos de redução da fiscalização marroquina. Em 2021, situação semelhante levou 10 mil pessoas a cruzarem a fronteira em apenas dois dias. A crise reacendeu disputas políticas na Europa. O governo italiano propôs suspender temporariamente a Espanha do espaço Schengen, proposta criticada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. Especialistas apontam uma combinação de fatores: decisão da Justiça espanhola contra devoluções automáticas de migrantes, disputas eleitorais em países europeus e tensões diplomáticas entre Espanha e Marrocos sobre o Saara Ocidental. Segundo analistas, Rabat utiliza a pressão migratória como instrumento de negociação com a União Europeia. 

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