Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, defende leis para limitar a inteligência artificial (IA). Segundo ela, sem regulamentação, a tecnologia poderá reduzir a autonomia dos indivíduos. A jornalista filipina e americana é copresidente de um painel científico da ONU sobre IA. O grupo avalia os impactos da tecnologia na vida das pessoas em todo o mundo. Ressa afirma que cidadãos devem pressionar políticos pela aprovação de regras para o setor, vez que regulamentar a IA é uma questão de segurança pública, e não de liberdade de expressão. A Nobel identifica três ondas no desenvolvimento da tecnologia que chegaram ao público. A primeira foi marcada pelas redes sociais, que capturam atenção e podem ampliar a polarização; a segunda envolve os chatbots, capazes de explorar necessidades humanas de intimidade e interação e a terceira é a IA agentiva e multiagentiva, que pode executar tarefas e agir em nome das pessoas. Ressa alerta que essa etapa pode comprometer a autonomia humana se não houver controles. Críticos da regulamentação, incluindo Donald Trump, temem prejudicar a competição dos EUA com a China, mas Ressa considera esse argumento uma estratégia de relações públicas das empresas de tecnologia. Ela cita restrições adotadas na China, como limites de idade na versão local do TikTok.
A jornalista também defende responsabilizar empresas pelos danos provocados por seus produtos e mencionou ações judiciais nos EUA envolvendo a Meta e o uso de redes sociais por adolescentes. Ressa elogiou iniciativas da União Europeia e da Austrália para estabelecer limites de idade, mas considera insuficiente proteger apenas crianças e adolescentes dos efeitos das plataformas, porque recursos que provocam dependência deveriam ser retirados para usuários de todas as idades. Ressa afirma que adultos também podem ser manipulados politicamente pelas plataformas digitais e propõe a criação de redes de comunicação fora do controle das grandes empresas. Essas plataformas deveriam funcionar como serviços de interesse público, segundo a Nobel e citou o Rappler Communities, criado pelo veículo filipino Rappler em 2023. O aplicativo utiliza o protocolo aberto, seguro e descentralizado Matrix. A ferramenta permite aproximar jornalistas e leitores e estimular conversas entre usuários. O Rappler também convidou outros veículos filipinos a participar da iniciativa. O modelo está sendo ampliado para outros países do Sudeste Asiático. Para Ressa, é necessário criar ambientes digitais onde as pessoas possam se sentir seguras. Ela defende espaços que estimulem o diálogo e a disposição para ouvir opiniões diferentes. Na avaliação da jornalista, essa seria uma forma de fortalecer o funcionamento da democracia.
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