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domingo, 12 de outubro de 2025

SAIU NA FOLHA DE SÃO PAULO

Mariliz Pereira Jorge

Jornalista e roteirista

SALVAR ARTIGOS

Mariliz Pereira Jorge
Descrição de chapéu

Faroeste americano

  • Cruzada insana contra imigrantes nos EUA parece um filme de ação xenófobo
  • Sigo na torcida pelos mocinhos dessa história, gente indefesa e trabalhadora, contra o autoritarismo

A cena poderia ser de um filme qualquer de ação: uma perseguição acaba com policiais frustrados que assistem ao "bandido" sumir, entre os carros, numa bicicleta. Mas era um episódio real, e eu me peguei na torcida pelo fugitivo, um entregador, desses com quem cruzamos às dezenas todos os dias, que conseguiu driblar a truculência do Estado americano e sua caça aos imigrantes.

Esses vídeos tomaram conta do meu algoritmo, que serve um faroeste com estética xenofóbica: pele escura tratada como suspeita, sotaque transformado em crime, sobrenome estrangeiro carimbado como ameaça. Todos os dias vejo homens e mulheres, velhos e crianças arrastados, pisoteados, encurralados, espancados nessa cruzada insana promovida por Donald Trump.

O presidente americano vendeu a narrativa como política de ordem, mas os números frios e incômodos desmontam a verdadeira intenção. São cerca de 60 mil prisões e, pela primeira vez nesta segunda administração Trump, a conta da detenção mostra mais gente sem ficha do que presos por crime comprovado.

Foi assim com a brasileira Bárbara Marques, casada com um americano, que entrou num prédio para resolver pendências do green card e foi levada por uma porta. Vítima de uma emboscada com carimbo oficial, tratada como criminosa pelo governo, como se amor, papel passado e direitos humanos não valessem nada. Sob a ótica trumpista, não valem.

Quem são os bandidos? De um lado, uma maioria de gente indefesa, trabalhadora, com nomes, sonhos, vínculos, vidas. Lares despedaçados, empregos interrompidos, crianças com medo de abrir a porta. Do outro lado, autoritarismo, brutalidade, falta de empatia, intimidação, o fascismo em estado bruto.

Os Estados Unidos sempre exaltaram os imigrantes como parte da sua fundação —eles aparecem nos discursos de praticamente todos os presidentes americanos do último século.

Hoje, essa mesma gente virou alvo. E mesmo com cada ação filmada, registrada e compartilhada, para que o mundo testemunhe, os agentes do governo seguem sem se importar. Sigo na torcida pelos mocinhos. 

MINISTRO SAI, À ESPERA DE OUTRA "MISSÃO"!

O ministro Roberto Barroso, depois que deixou a presidência do STF, no mês passado, anuncia agora que vai ingressar com pedido de aposentadoria. Declarou: "Sinto que agora é hora de seguir novos rumos". Alguns atribuem o posicionamento do ministro à punição recebida pelo governo americano, mas ele assegura que o caso nada tem a ver com sua decisão. Na verdade, Barroso quer uma embaixada ou outro importante cargo público; ele desembarcou no STF em 2013, depois de indicado pela então presidente Dilma Rousseff, em vaga do ministro Ayres Britto; ocupou a vaga na condição de advogado e com sua saída cria a possibilidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolher um novo titular.  Disputam a cadeira de Barroso o ministro Jorge Messias, da Advocacia-geral da União, o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o eterno candidato Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, e Vinicius de Carvalho, controlador-geral da União. 

Na sua trajetória na Corte, Barroso envolveu-se em sério desentendimento com o ministro Gilmar Mendes, em 2018, quando disse: "o senhor é a mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia". Declarou ainda que Mendes "é uma vergonha, é uma desonra para o tribunal. Vossa Excelência, sozinho, desmoraliza o tribunal". O tempo encarregou-se de acabar a desinteligência entre os dois, que se tornaram amigos. Não tem sido comum, ministros deixarem o alto cargo, antes de serem apanhados pela idade. Antes de Barroso, o ministro Joaquim Barbosa pediu aposentadoria antecipada, onze anos atrás da compulsória, em 2014. Na vaga de Barroso, surgem nomes de profissionais, todos destinados a permanecerem na Corte mais de 30 anos, considerando a idade da nomeação e a idade limite. Já não se prestigia mais a experiência constante da idade dos futuros ministros do STF; louva-se a aproximação com o presidente ou outras condições que não importam em competência ou tempo de atividade na área. Os ministros nomeados na gestão Bolsonaro inauguraram nova sistemática de escolha.     

Atualmente o STF conta apenas com um ministro originado da magistratura, Luiz Fux. Barroso, apesar de declarar que não tem apego nenhum ao poder e de que quer viver sem exposição pública, não deixará o Supremo sem já ter a promessa de outra aventura; afinal, ele ficaria na Corte até o ano de 2033. Outro ministro que se aposentou dez anos antes da "expulsória" foi Nelson Jobim, mesmo assim para ocupar o ministério da Defesa. Sem pretensão de cargos aposentaram Ellen Gracie, seis anos antes e Joaquim Barbosa, dez anos antes. Situação esdrúxula aconteceu com o ministro Francisco Rezek que tomou posse em março/1983, renunciou em março/1990, visando a titularidade do ministério das Relações Exteriores, e, absurdamente, retornou em maio/1992, por indicação do ex-presidente Fernando Collor; em fevereiro/1997 aposentou-se, de novo, também para ocupar outro importante cargo, desta vez, na Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda.  O ministro, Cristiano Zanin assumiu a cadeira aos 48 anos e permanecerá na Corte por quase 27 anos. Kassio Nunes Marques e André Mendonça permanecerão por mais 22 anos, pois a compulsória só acontecerá, no ano de 2047. E assim, muda-se o cenário de ministros do STF, trocando a experiência, a competência e a idade madura pela inexperiência, jovialidade e aproximação do presidente do momento.    

Salvador, 12 de outubro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.


ATIVIDADE JURISDICIONAL NA IA

As discussões sobre o impacto da inteligência artificial (IA) na escrita criativa ajudam a refletir sobre a atividade jurisdicional. Assim como o escritor tem seu conceito de autoria desafiado, o magistrado enfrenta questionamentos sobre o papel humano na produção de decisões. Antes, o juiz era uma figura solitária, redigindo decisões à mão ou ditando ao escrevente. A sentença era um ato individual, em que o intelecto do julgador conectava fatos e normas para produzir justiça. Com o avanço tecnológico, de máquinas de escrever aos computadores, a forma de escrever mudou, mas o pensamento continuava essencialmente humano. Nas últimas décadas, a complexidade social e a massificação das demandas tornaram o modelo do “juiz-solitário” inviável. O gabinete virou equipe, e o juiz passou a atuar como orientador, revisor e validador das minutas elaboradas por assessores. O processo eletrônico consolidou esse modelo colaborativo. A IA surge agora como novo passo dessa “oficina judicial”. Ela pode funcionar como um “assessor potencializado”, analisando grandes volumes de dados e jurisprudência em segundos e estruturando propostas de decisão sob orientação humana. Mas, quanto maior o auxílio, maior também a responsabilidade crítica do juiz no controle e validação.

Dois modelos se delineiam: o primeiro, voltado a processos repetitivos, em que a IA produz minutas a partir de entendimentos consolidados; o segundo, para casos complexos, em que a IA atua como parceira dialética, ajudando a construir e testar argumentos sob a direção humana. Apesar da automação, o julgamento humano é imprescindível. Somente o juiz possui sensibilidade, empatia e discernimento para ponderar valores e consequências sociais. Julgar é ato também político: ao aplicar a lei, o magistrado reafirma princípios constitucionais como dignidade, igualdade e liberdade — tarefa que nenhuma máquina pode assumir. Erros em decisões automatizadas continuam sendo responsabilidade humana. A IA é instrumento, não sujeito ético. Cabe ao juiz dominá-la e supervisioná-la. A IA não elimina o papel do magistrado: redefine-o. Ao libertá-lo de tarefas mecânicas, permite-lhe dedicar-se ao que há de mais nobre no ato de julgar — o exercício consciente, crítico e humano da justiça. 

MÉDICO AUTÔNOMO TEM APOSENTADORIA

O médico autônomo tem direito à aposentadoria por tempo de serviço em regime especial, por se expor a agentes nocivos à saúde. Com esse entendimento, o juiz Vinicius Magno Duarte Rodrigues, da 13ª Vara Federal do Juizado Especial Cível de Goiás, reconheceu o tempo de serviço especial de um médico. O profissional, associado a uma cooperativa, pediu aposentadoria especial alegando contato habitual com vírus e bactérias. O juiz analisou o pedido conforme a legislação vigente à época, aplicando a Lei 8.213/1991, já que o médico começou a trabalhar em 1988. Essa lei permitia o reconhecimento do tempo especial por enquadramento da categoria profissional ou por exposição a agentes nocivos, sem necessidade de provar dano físico. A exigência de laudo técnico passou a valer apenas com a Lei 9.528/1997, podendo, antes disso, ser aceita qualquer prova válida.

O magistrado destacou que o rol de atividades previsto em lei é apenas exemplificativo, sendo possível reconhecer outras profissões que exponham o trabalhador a riscos. Com base em documentos, como o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), o juiz calculou o tempo de contribuição em 39 anos, 11 meses e 17 dias. Assim, condenou o INSS a conceder o benefício no prazo de 30 dias, com pagamento das parcelas retroativas desde o pedido administrativo feito em 2024. Segundo o advogado Henrique Dantas, a decisão reforça que “a aposentadoria especial não pode ser negada pelo simples fato de o profissional ser autônomo ou cooperado, bastando comprovar o contato contínuo com agentes nocivos”. 

200 MIL PESSOAS JÁ RETORNARAM PARA GAZA

O Exército de Israel anunciou na sexta-feira (10) que o cessar-fogo em Gaza entrou em vigor ao meio-dia do horário local (6h em Brasília), um dia após o governo aprovar o acordo assinado com o Hamas. As tropas começaram a se posicionar nas linhas de retirada, em preparação para o cessar-fogo e o retorno dos reféns, mas algumas áreas seguem “extremamente perigosas”. O recuo israelense inicia o prazo de 72 horas para a libertação dos reféns em troca da soltura de centenas de prisioneiros palestinos. Após o anúncio, milhares de palestinos deslocados começaram a retornar para o norte do território. Segundo a Defesa Civil controlada pelo Hamas, cerca de 200 mil pessoas já voltaram para a Cidade de Gaza. “Graças a Deus minha casa ainda está de pé, mas os bairros ao redor foram destruídos”, disse Ismail Zayda, morador de Sheikh Radwan. Outro residente, Mahdi Saqla, afirmou estar feliz “apenas por voltar ao lugar onde nossas casas estavam, mesmo sobre os escombros”. O general Effie Defrin pediu que os palestinos evitem áreas sob controle militar israelense e declarou que o Hamas foi “derrotado em todos os lugares”. A primeira fase do plano proposto pelos EUA prevê a retirada parcial das forças israelenses, que ainda manterão controle sobre mais da metade de Gaza.

O premiê Binyamin Netanyahu disse que as tropas permanecerão para pressionar o Hamas até o desarmamento e afirmou que 20 reféns continuam vivos. Israel também divulgou a lista de 250 prisioneiros palestinos que podem ser trocados. Com o acordo, caminhões de ajuda humanitária entrarão em Gaza a partir do dia de hoje, domingo (12). O Unicef alertou para o risco de aumento da mortalidade infantil, já que as crianças estão sem alimentação adequada há meses. O negociador do Hamas, Khalil Al-Hayya, afirmou ter recebido garantias dos EUA de que a guerra acabou, mas etapas futuras — como o destino do grupo e a administração de Gaza — ainda precisam ser definidas. Trump disse que viajará à região no fim de semana para participar da cerimônia de assinatura do acordo no Egito e discursar no Parlamento israelense.

MAFIA DOS CONCURSOS


Operação da Polícia Federal revelou um esquema de fraudes em concursos públicos que funcionava como uma estrutura familiar e altamente organizada, com base no Sertão da Paraíba. O grupo usava tecnologia de ponta, como pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e acesso prévio a gabaritos, para garantir aprovações fraudulentas. A quadrilha, apelidada de “máfia dos concursos”, cobrava até R$ 500 mil por vaga e burlava sistemas de segurança de bancas organizadoras. O líder seria o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, expulso da corporação em 2021, auxiliado por familiares, como os irmãos Valmir e Antônio Limeira, a cunhada Geórgia e a sobrinha Larissa. Cada um teria funções específicas: Wanderlan negociava com candidatos, Valmir e Larissa participaram de concursos suspeitos, e Geórgia fez depósitos de alto valor sem renda comprovada. Outros envolvidos incluem Ariosvaldo Lucena, dono de clínica odontológica usada para lavagem de dinheiro; Thyago José de Andrade (“Negão”), responsável pelos pagamentos; Laís Giselly, aprovada em vários concursos suspeitos; e Luiz Paulo dos Santos, apontado por envolvimento em 67 certames fraudulentos. 

As fraudes envolviam comunicação via pontos eletrônicos e substituição de candidatos por dublês. A PF descobriu gabaritos idênticos entre candidatos do Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024, incluindo os membros da família Limeira — coincidência considerada praticamente impossível de ocorrer ao acaso. Os valores pagos eram lavados por meio de depósitos em espécie, compra simulada de imóveis, uso de laranjas e negócios de fachada. Parte dos pagamentos era feita com ouro, veículos ou serviços odontológicos. A Operação Última Fase, deflagrada em 2 de outubro, cumpriu mandados de prisão e apreensão em Pernambuco e na Paraíba, bloqueando a posse de candidatos aprovados por fraude. O juiz Manuel Maia destacou que o grupo contava com especialistas para realizar provas em nome dos contratantes. As defesas negam as acusações e alegam falta de provas concretas. Alguns investigados afirmam colaborar com as apurações e denunciam “linchamento público” antes da conclusão do processo.

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 12/10/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Aéreas discutem meios de impedir embarque de passageiros agressivos

De acordo com a Anac, as negociações estão em fase final, mas sem previsão de implementação. De janeiro a julho deste ano, no Aeroporto Juscelino Kubitschek, foram registrados 210 casos considerados graves, um aumento de 55,5% em relação ao mesmo período do ano passado

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Arminio Fraga: hora de parar com emissões de títulos isentos do IR

O incentivo é fiscalmente catastrófico, regressivo, distorce a alocação de recursos na economia e encarece a conta dos juros que o país tem de pagar

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

China ameaça medidas 'firmes e correspondentes' caso os EUA não recuem nas novas tarifas

Ministério do Comércio afirma que as ações americanas prejudicam seriamente os direitos legítimos das empresas Fala ocorre após Trump determinar tarifas adicionas em resposta à nova regra de exportação chinesa sobre terras raras

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Gaza recupera cerca de 150 corpos em escombros após início do cessar-fogo

Defesa Civil do território palestino acredita que aproximadamente 10 mil palestinos estejam soterrados desde 7 de outubro de 2023

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

São Paulo já registrou 51 prisões por venda irregular ou adulteração de bebidas em 2025

Últimas prisões ocorreram após descoberta de duas fábricas clandestinas em Tatuí e Hortolândia

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Montenegro fala em "dia muito importante para a democracia". Carneiro diz que o "PS voltou" após "hecatombe"

Acompanhe aqui todas as informações acerca desta eleições autárquicas.

sábado, 11 de outubro de 2025

RADAR JUDICIAL

PALESTINOS RETORNAM 

Após o anúncio do fim da guerra em Gaza, cerca de 200 mil palestinos deslocados começaram a retornar para casa, movendo-se para o norte em uma grande marcha. O cessar-fogo, em vigor desde as 9h GMT dessa sexta-feira, também levou refugiados a regressarem para Khan Yunis, onde encontraram ruínas. O acordo com o Hamas prevê a libertação dos reféns israelenses em até 72 horas. Citado pelo portal Axios, o presidente norte-americano Donald Trump, um dos articuladores do acordo, planeja uma cúpula em Sharm el-Sheikh, no Egito, para discutir o plano de paz, com presença de líderes de Alemanha, França, Reino Unido, Emirados Árabes, Jordânia e Arábia Saudita — sem Netanyahu. O Exército israelense anunciou que suas tropas se posicionam para o retorno dos reféns, mas advertiu que algumas áreas seguem “extremamente perigosas”. O cessar-fogo foi firmado após quatro dias de negociações indiretas no Egito, com base em plano de 20 pontos apresentado por Trump. O pacto encerra dois anos de guerra iniciada em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, deixando 1.219 mortos. Prevê o retorno dos reféns e a libertação de 1,7 mil palestinos presos. Palestinos relatam dor e destruição. “O retorno está cheio de feridas”, disse Ameer Abu Iyadeh. “Rezo para que minha casa não tenha sido destruída”, afirmou Mohamed Mortaja. Segundo a Defesa Civil, 50 corpos foram achados sob escombros após o cessar-fogo. A Associação de Imprensa Estrangeira pediu que Israel autorize o acesso de jornalistas a Gaza.

MACRON RECONDUZ PRIMEIRO-MINISTRO

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou ontem, 10, a recondução de Sébastien Lecornu ao cargo de primeiro-ministro, quatro dias após ele pedir demissão. A nomeação foi feita às 22h locais, após o fim do prazo prometido por Macron. Lecornu disse aceitar a missão “por dever” e afirmou que terá “carta branca” para governar. Ele prometeu dialogar sobre todos os temas, incluindo a reforma das aposentadorias, e impôs como condição que nenhum ministro tenha “ambições presidenciais para 2027”. A oposição de esquerda (LFI) e de ultradireita (RN) anunciou que não negociará com o premiê e apresentará moção de censura na segunda-feira (13). A recondução de Lecornu não deve encerrar a crise política que atinge a França desde a dissolução da Assembleia Nacional em 2024. As eleições legislativas deixaram o país sem maioria: esquerda com 193 cadeiras, centro e direita com 166 e ultradireita com 142. Desde então, Macron viu cair três primeiros-ministros em sequência —Michel Barnier, François Bayrou e o próprio Lecornu—, e enfrenta crescente pressão para antecipar o fim de seu mandato.

ADVOGADO É SUSPENSO POR TORTURA 

A OAB-GO manteve por unanimidade a suspensão do advogado suspeito de omissão diante de tortura e maus-tratos à filha menor e autista. A decisão foi proferida em sessão plenária em 6/10, após recurso contra suspensão preventiva de 90 dias do TED. A relatora Carla Sahium Traboulsi citou extenso conjunto probatório colhido pela polícia com fortes indícios de infrações disciplinares. O conselho entendeu que não estavam presentes os requisitos para tutela de urgência (probabilidade do direito e perigo de dano). Assim, foi negado o efeito suspensivo e mantida a penalidade até o julgamento do mérito do processo disciplinar. O caso ocorreu em Goiânia e começou com denúncia na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Vídeos mostram a mãe agredindo brutalmente a criança; as imagens foram obtidas pelos investigadores. Segundo a PCGO, o pai tinha conhecimento das agressões e recebeu os vídeos como forma de chantagem emocional. Ele foi preso por não ter comunicado as autoridades nem protegido a filha. Nas filmagens a criança aparece esganada até desmaiar, enforcada e apanhando, enquanto a agressora a insulta. A investigação sustenta a materialidade e autoria das infrações que motivaram o processo disciplinar. O conselho aprovou por unanimidade o parecer, mantendo a suspensão do advogado até decisão final.

JUIZ É MORTO A TIROS

O juiz foi socorrido, mas morreu a caminho do hospital, depois que recebeu vários tiros em um tribunal na Albânia. Outras duas pessoas, um pai e um filho, também foram atingidas, mas não correm risco de vida, segundo a polícia. O caso gerou debate sobre o controle de armas. O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, prestou condolências e defendeu medidas mais duras. "Acredito que este trágico acontecimento é o argumento mais irrefutável para endurecer as penas por posse ilegal de armas", escreveu Rama. Ele também pediu reflexão sobre a forma como esses casos são tratados pela Justiça e destacou a necessidade de reforçar a segurança nos tribunais. "Esta tragédia exige repensar o sistema de segurança interna dos tribunais", afirmou. Segundo ele, a independência do Judiciário não deve excluir a Polícia desses processos. 

PREFEITO É RECONDUZIDO AO CARGO

O ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do STJ, determinou ontem, 10, que o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Marcelo Lima (Podemos), retorne ao cargo, atendendo recomendação do Ministério Público Federal. Lima havia sido afastado em agosto, acusado de envolvimento em organização criminosa e lavagem de dinheiro. O magistrado entendeu que a manutenção do afastamento, após a conclusão das investigações e o oferecimento da denúncia, era desnecessária e interferia em mandato obtido pelo voto popular. Segundo Fonseca, o parecer da Procuradoria-Geral da República reconheceu a falta de fundamentos concretos para o afastamento e recomendou sua revogação por ausência de risco atual à ordem pública. O ministro também revogou a medida de recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana, considerando o risco apenas presumido. A restrição de locomoção foi flexibilizada: o prefeito poderá circular por todo o estado de São Paulo, devendo apenas comunicar o juízo se se ausentar da cidade por mais de sete dias. Permanece válida apenas a proibição de contato com outros investigados. A decisão deve ser comunicada com urgência para que o prefeito reassuma o cargo.

Salvador, 11 de outubro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados. 


JBS ESTÁ SENDO INVESTIGADA

A Polícia Federal afirmou, em relatório parcial sobre a venda de decisões no STJ, que abrirá investigação autônoma sobre a relação do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves com o grupo JBS. Segundo mensagens analisadas, Andreson disse ter recebido R$ 19 milhões para atuar em um processo ligado à companhia. O Coaf identificou valores da JBS ao escritório da advogada Mirian Ribeiro, esposa do lobista. O relatório, divulgado pelo Estadão e obtido pela Folha, aponta que Andreson teve acesso a minuta de voto da ministra Nancy Andrighi referente à J&F, controladora da JBS. Um servidor de seu gabinete, Márcio Toledo, foi exonerado. A ministra não é investigada e declarou confiar no esclarecimento dos fatos. A PF afirma que Andreson detinha acesso privilegiado a decisões internas do STJ e que a relação dele e de Mirian com a JBS será apurada separadamente. A JBS nega irregularidades e diz que pagamentos à advogada se referem a honorários comprovados.

Andreson cumpre prisão domiciliar em Primavera do Leste (MT). A defesa dele e de Mirian não se manifestou. O inquérito sobre venda de sentenças tramita no gabinete do ministro Cristiano Zanin, no STF. A PF diz que a permanência do caso no Supremo evita nulidades e garante a proteção das diligências. As investigações começaram após a morte do advogado Roberto Zampieri, em 2023, quando foram achadas conversas entre ele e Andreson sobre lobby e venda de decisões. A Operação Sisamnes apreendeu minutas de votos de ministros, e o STJ já exonerou um servidor. 

FUNCIONÁRIA FANTASMA NO GABINETE DE PRESIDENTE DA CÂMARA

Uma funcionária fantasma mantida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acumulava dois empregos públicos enquanto seguia registrada como secretária parlamentar, mesmo após denúncia da Folha em julho. Louise Figueiredo de Lacerda, médica e filha de um aliado político de Motta, trabalhava nas prefeituras de João Pessoa e Alhandra (PB), com jornadas incompatíveis com o cargo na Câmara, que exige dedicação exclusiva. Ela só foi exonerada após Motta ser questionado pela reportagem. Louise começou no gabinete em 2018, recebendo cerca de R$ 240 mil até este mês. Desde agosto, atua como médica da Prefeitura de João Pessoa, com salário de R$ 9,4 mil, e desde setembro também consta como contratada em Alhandra.

A Câmara não exige ponto eletrônico, o que facilita o controle precário das jornadas. Motta afirmou que Louise não integra mais o gabinete, embora sua demissão ainda não conste oficialmente. Louise alegou à Folha não lembrar quando saiu do cargo e negou vínculo com Alhandra, apesar de registro ativo no sistema do Ministério da Saúde. Ela é filha do ex-vereador Marcílio Lacerda, ligado a Motta e ao Republicanos. Outros dois casos semelhantes no gabinete também foram revelados, além do emprego do caseiro da fazenda do deputado e suspeitas sobre movimentações financeiras de sua chefe de gabinete. 

"ESCURECIMENTO DA TERRA"

A Terra está refletindo menos luz solar e absorvendo mais calor, segundo dados de satélite coletados pela Nasa ao longo de quase vinte anos. O fenômeno, conhecido como “escurecimento da Terra”, preocupa cientistas por poder intensificar o aquecimento global e alterar o equilíbrio climático do planeta. O estudo, liderado por Norman G. Loeb, do Centro de Pesquisa Langley da Nasa, utilizou o sistema CERES, que mede a energia solar absorvida e refletida pela Terra. Os resultados indicam um desequilíbrio crescente: o hemisfério norte passou a reter cerca de 0,34 watt a mais por metro quadrado a cada década em relação ao sul. Segundo Loeb, ambos os hemisférios refletem menos luz solar, mas o norte é o mais afetado. O derretimento do gelo e da neve no Ártico, que antes funcionavam como espelhos naturais, é um dos principais fatores. Com menos superfícies claras, o solo e o mar absorvem mais calor.

A redução dos aerossóis na atmosfera também contribui. Essas partículas, antes associadas à poluição, ajudavam a refletir parte da radiação solar. Com políticas ambientais mais rígidas, a atmosfera ficou “mais limpa”, mas menos refletiva. Incêndios e erupções vulcânicas no hemisfério sul chegaram a aumentar temporariamente os aerossóis, mas não compensaram o desequilíbrio. Os cientistas alertam que o fenômeno pode alterar ventos, correntes marítimas e distribuição de calor, acelerando o aquecimento em regiões como Europa, América do Norte e Ásia. Desde 2001, estima-se que a Terra absorva 0,83 watt extra por metro quadrado de energia solar a cada década. Parte é redistribuída, mas o restante intensifica o aquecimento global. Loeb e sua equipe seguem monitorando o fenômeno para avaliar se é temporário ou permanente 



TRUMP IMPÕE TARIFA DE 100% SOBRE PRODUTOS CHINESES

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ontem, 10, que vai impor tarifas adicionais de 100% sobre produtos da China a partir de 1º de novembro. Atualmente, a tarifa é de 30%. Na mesma data, entrarão em vigor controles de exportação para softwares críticos, segundo publicação de Trump na Truth Social. As medidas, de acordo com o republicano, respondem aos planos da China de impor controles sobre diversos produtos — o que ele classificou como “um plano elaborado há anos”. Trump disse que as novas tarifas podem ser aplicadas até antes do previsto, dependendo das ações de Pequim. Ele afirmou ainda que o movimento chinês “entupiria os mercados” e prejudicaria economias globais, especialmente a da própria China. O presidente declarou não ver motivos para se reunir com Xi Jinping na cúpula da Apec, prevista para ocorrer na Coreia do Sul.

A Casa Branca e a embaixada chinesa em Washington não comentaram. Representantes do comércio e do Tesouro dos EUA também evitaram declarações. A escalada ocorre após Trump ter dito, em setembro, que se encontraria com Xi para discutir comércio, drogas e a guerra na Ucrânia. No início de outubro, mencionou que a soja seria um dos temas centrais, mas Pequim nunca confirmou a reunião. Na quinta-feira (9), a China anunciou novas restrições à exportação de terras raras, minerais estratégicos usados em chips e tecnologias avançadas, com o objetivo de proteger seus interesses e ampliar o controle sobre a cadeia produtiva. O anúncio de Trump provocou forte queda nas Bolsas americanas: o S&P 500 recuou 2,71%, o Dow Jones caiu 1,90% e o Nasdaq, 3,56%. O dólar subiu 2,39%, encerrando a semana a R$ 5,503, enquanto a Bolsa brasileira caiu 0,72%, refletindo o nervosismo global e as preocupações fiscais internas.