No mar, diante da costa de Nagasaki, no Japão, a ilha de Hashima, ou Gunkanjima ("Ilha Encouraçado"), abriga as ruínas de uma antiga cidade industrial construída sobre uma pequena área de terra. Comprada pela Mitsubishi em 1890, a ilha foi transformada em um centro de mineração submarina de carvão, essencial para a industrialização japonesa. Como o espaço era reduzido, surgiram edifícios residenciais, escola, hospital, comércio, cinema e áreas de lazer, formando uma comunidade vertical protegida por muralhas contra tufões. No auge, em 1959, Hashima chegou a reunir cerca de 5.300 moradores, tornando-se uma das áreas mais densamente povoadas do mundo. A ilha oferecia infraestrutura moderna para a época, com eletricidade, serviços e moradias próximas ao trabalho. Durante a Segunda Guerra Mundial, porém, trabalhadores coreanos e chineses foram submetidos a trabalho forçado em condições precárias, tornando Hashima símbolo também de exploração humana. Com a substituição do carvão pelo petróleo, a mina perdeu importância econômica.
Em janeiro de 1974, as atividades foram encerradas e, em abril do mesmo ano, os últimos moradores deixaram a ilha. Sem manutenção, os prédios passaram a sofrer com a ação da maresia, chuvas e tufões, provocando desabamentos e deterioração. Objetos abandonados nos apartamentos reforçam a sensação de que a cidade foi deixada às pressas. Desde 2009, parte da ilha pode ser visitada por turistas em áreas controladas. Em 2015, Hashima foi incluída no Patrimônio Mundial da UNESCO como parte dos Sítios da Revolução Industrial Meiji. Hoje, a antiga cidade do carvão permanece como uma impressionante cidade fantasma, reunindo engenharia, memória histórica e as marcas de um passado de prosperidade e sofrimento.
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