A missa solene de São Pedro e São Paulo, celebrada no Vaticano em 29 de junho, foi em latim, mas seguiu o rito atual da Igreja Católica. Dias depois, o papa Leão XIV excomungou líderes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo ultraconservador ligado à missa tridentina. Especialistas destacam que o problema não é o uso do latim, mas a rejeição às reformas do Concílio Vaticano II e à autoridade do papa. A missa tridentina, criada após o Concílio de Trento, é celebrada em latim e com o padre voltado para o altar (ad orientem). Já o rito atual permite o uso do latim, mas incentiva o idioma local e a celebração voltada aos fiéis para facilitar a participação. O latim continua sendo a língua oficial do Vaticano e pode ser usado em qualquer missa, especialmente nas celebrações solenes. Leituras e homilia, porém, costumam ser feitas na língua da comunidade.
Segundo especialistas, a expressão "missa em latim" simplifica uma questão mais ampla. O foco da controvérsia é a defesa do antigo missal de 1962 por grupos que rejeitam as mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II. Em 2021, o papa Francisco restringiu as celebrações do rito tridentino, exigindo autorização dos bispos e proibindo a criação de novos grupos tradicionalistas, para preservar a unidade da Igreja. Para teólogos, o latim possui valor histórico, simbólico e litúrgico, mas seu uso não pode servir como instrumento de oposição à Igreja ou de manifestação político-ideológica. O conflito atual envolve principalmente autoridade, doutrina e aceitação das reformas conciliares.
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