O governo do Amapá admitiu um rombo de quase R$ 1 bilhão no caixa apenas 44 dias após contratar um empréstimo de R$ 536 milhões com garantia do Tesouro Nacional. A informação não era conhecida pelo Tesouro durante a análise da operação. Se o déficit tivesse sido informado, o estado seria rebaixado para nota C, perdendo o direito ao aval da União. Mesmo após um calote recente em dívidas garantidas pela União, o Ministério da Fazenda autorizou o financiamento. A pasta afirmou que a operação seguiu os critérios técnicos vigentes e que monitora a situação fiscal posteriormente. Em maio, o Amapá retificou seus dados fiscais e revelou uma disponibilidade líquida negativa de R$ 694,7 milhões. Considerando compromissos assumidos em 2025, o rombo chega a R$ 964,8 milhões. Antes da correção, o estado informava possuir R$ 4,9 bilhões em caixa, dado que sustentou a aprovação do empréstimo.
O governo estadual alegou que a mudança decorreu apenas de adequação técnica à metodologia do Tesouro. Técnicos admitem que, com os números corretos, o empréstimo não teria sido autorizado. Especialistas defendem investigação para apurar possível fraude contábil diante da discrepância dos dados. O Tesouro pode revisar a nota do estado, mas ainda não informou se fará isso. O secretário da Fazenda, Jesus Vidal, negou dificuldades financeiras e afirmou que as contas estão organizadas. Apesar disso, o Amapá quitou apenas 20% das despesas herdadas nos quatro primeiros meses de 2026, pior índice do país. O estado já enfrentou problemas de caixa no passado, chegou a perder acesso ao Programa de Equilíbrio Fiscal e só recuperou a nota máxima A em 2025.
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