O investidor Vladimir Timerman, 46, passou a andar com segurança particular após pressão de amigos, que bancam o custo. Ele afirma estar em कठिन situação financeira devido ao bloqueio judicial de fundos da Esh Capital, gestora da qual é responsável. Na véspera, Timerman depôs como testemunha na CPI do Crime Organizado, em Brasília, onde reiterou denúncias sobre irregularidades envolvendo investidores e falhas de órgãos de controle. O depoimento está ligado ao caso do Banco Master. Ele afirmou que o verdadeiro controlador da instituição não seria Daniel Vorcaro, mas o empresário Nelson Tanure, que nega qualquer vínculo e classifica as acusações como “ilações”. A disputa entre Timerman e Tanure se arrasta desde 2021, envolvendo a Alliança Saúde. O gestor denunciou suposto uso de informação privilegiada, mas o caso foi arquivado pela CVM. Conhecido pelo ativismo no mercado financeiro, Timerman busca influenciar a gestão de empresas mesmo como acionista minoritário. Após a Alliança, entrou em conflito com a Gafisa, também ligada a Tanure. Nesse embate, a Justiça bloqueou o principal fundo da Esh, o Theta, sob acusação de “greenmail”. A medida afetou cotistas e impediu novos aportes, contribuindo para a queda expressiva do patrimônio da gestora. Timerman voltou a acusar Tanure de insider trading em outro caso, relacionado à compra da Upcon pela Gafisa. O empresário virou réu após denúncia do MPF, que sua defesa considera precipitada. Paralelamente, Tanure processou Timerman por stalking devido a publicações nas redes sociais.
O gestor foi condenado em primeira instância, com pena substituída por serviços comunitários, e recorre. Uma decisão judicial também o impede de falar publicamente sobre Tanure e a Gafisa. Apesar disso, Timerman afirma ter alertado autoridades sobre irregularidades no Banco Master desde 2023, o que motivou sua convocação à CPI. O relator destacou a relevância técnica de seu depoimento. Analistas do mercado reconhecem que ele antecipou denúncias que depois ganharam respaldo com operações policiais e a liquidação do banco. O caso elevou sua notoriedade, mas também trouxe riscos. Ele relata ter recebido ameaças de morte e diz que familiares e amigos temem por sua segurança. Em 2024, enfrentou busca e apreensão após denúncia de desvio de recursos para offshore, mas o inquérito foi arquivado por falta de provas. Timerman afirma já ter respondido a dezenas de ações judiciais, muitas arquivadas, e interpreta os processos como tentativa de destruí-lo financeiramente e reputacionalmente. Mesmo com dificuldades, diz manter o compromisso com seus clientes e continuar denunciando irregularidades. Recentemente, criou uma consultoria em contencioso estratégico, o que teria ajudado a melhorar sua situação financeira. Seu perfil também destoa do padrão do mercado financeiro: veste-se de forma informal e cultiva imagem pouco convencional. Filho do infectologista Artur Timerman, teve formação influenciada por valores progressistas e já se definiu como “o mais comunista entre os capitalistas”. Formado pela USP, é irmão da escritora Natalia Timerman, autora de romances que abordam, entre outros temas, a morte do pai da família. Apesar das divergências pessoais e profissionais, afirma manter resiliência diante das adversidades. Ele diz que sua trajetória no rúgbi influenciou sua postura no mercado: resistência, lealdade e persistência. Mesmo sob pressão judicial e financeira, sustenta que não recuará. “Já fui ao inferno e sei o caminho de volta”, resume.
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