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segunda-feira, 1 de junho de 2026

COLÔMBIA: SEGUNDO TURNO EM 21 DE JUNHO


A presidência da Colômbia será decidida em segundo turno, em 21 de junho, entre Iván Cepeda, da esquerda, e Abelardo de la Espriella, da direita. Com mais de 90% das urnas apuradas, De la Espriella obteve 43% dos votos, contra 41% de Cepeda. Como nenhum candidato superou 50%, a disputa segue para nova votação. A eleição ocorreu de forma pacífica, mas foi marcada pela forte polarização entre defensores da continuidade das políticas de Gustavo Petro e eleitores que exigem mudanças, mais segurança e apoio à iniciativa privada. A esquerda concorreu unida, enquanto a direita se apresentou dividida e o centro teve desempenho fraco. De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos, ganhou projeção com um discurso de direita radical. Defende combate duro ao crime, fortalecimento das Forças Armadas, livre iniciativa e valores conservadores. Admirador de líderes como Nayib Bukele, Donald Trump e Javier Milei, promete crescimento econômico e programas sociais financiados pela expansão da economia.

Já Iván Cepeda, de 63 anos, é senador e histórico defensor dos direitos humanos. Filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, atuou em negociações de paz e na defesa das vítimas do conflito armado. Sua proposta é dar continuidade às reformas sociais de Petro, ampliar a participação do Estado na economia, reduzir desigualdades e manter o diálogo com grupos armados em busca da paz. O segundo turno colocará frente a frente duas visões opostas para o futuro da Colômbia: a continuidade do projeto progressista de Petro ou uma guinada conservadora liderada por De la Espriella.

 

ARÁBIA SAUDITA BUSCA REDUZIR DEPENDÊNCIA DO PETRÓLEO



Os megaprojetos lançados pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (MBS), dentro do programa Visão 2030, prometiam transformar a Arábia Saudita em uma potência tecnológica e econômica pós-petróleo. Financiados pelo gigantesco fundo soberano saudita, projetos como Neom, The Line, Trojena e The Cube ganharam fama mundial por sua escala futurista. Com a queda das receitas do petróleo, a guerra no Oriente Médio e a falta de investimentos estrangeiros esperados, muitos desses empreendimentos foram reduzidos, adiados ou abandonados. O projeto The Line encolheu, Trojena perdeu os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029 e o megacomplexo The Cube foi cancelado. Analistas apontam que o país repete um padrão histórico de anúncios grandiosos seguidos por revisões drásticas. Críticos atribuem parte dos problemas à falta de planejamento realista, à centralização das decisões e à repressão política, que afasta investidores. Apesar disso, o Visão 2030 produziu mudanças importantes. Houve avanços sociais, como a ampliação de direitos das mulheres, além da expansão do entretenimento e do turismo. Projetos mais viáveis, como Diriyah, AlUla e resorts no Mar Vermelho, continuam avançando.

O governo agora prioriza metas mais realistas, eficiência nos gastos e resultados concretos. Autoridades sauditas afirmam que a estratégia entrou em uma fase de execução, substituindo o foco em anúncios grandiosos. Mesmo com dificuldades, a Arábia Saudita conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2034 e mantém o objetivo de diversificar sua economia. O desafio é transformar ambição em resultados sustentáveis, preservando a confiança de investidores e reduzindo a dependência do petróleo.

 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 1º/6/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

"O Brasil não se uniu por uma política antidrogas"

Jurista mostra que dificuldade de combinar visões sobre como combater CV e PCC facilitou avanço das facções. E que o enquadramento como terroristas pelos Estados Unidos tem como pano de fundo a política expansionista norte-americana

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Com maior gasto por aluno, Estado do Rio está em penúltimo lugar na educação do país

Investimento é de R$ 19,5 mil por estudante ao ano, segundo Movimento EducAçãoRio; especialistas apontam falhas de gestão e falta de prioridade política

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Pacotão pró-partidos atinge fiscalização da Justiça Eleitoral e pode não valer para 2026

Minirreforma aprovada em maio reafirma entendimentos do STF, mas pode ter trechos inconstitucionais Tramitação na Câmara foi relâmpago; Senado é mais resistente e pode aparar arestas da proposta

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

A guerra invisível que está confundindo sinais de GPS e colocando aviões em risco

Supostamente, o avião estava voando a apenas 11 quilômetros por hora sobre um lago perto de São Petersburgo.

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Empresários esperam que EUA apliquem novas tarifas contra o Brasil nesta semana

Decisão norte-americana contraria acordo prévio entre Lula e Trump e pode impactar a balança comercial entre os dois países

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Quebra histórica. Portugal torna-se um dos países da UE com menos crianças

Fundação Francisco Manuel dos Santos traça retrato da população com menos de 12 anos na União Europeia. Portugal deixou de ser o segundo país da UE com mais crianças em 1975 para ser o quarto com menos. Cenário passa pelas questões económicas, sendo o país um dos que tem a maior carga horária semanal de trabalho.

domingo, 31 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


PACHECO DEIXA A POLÍTICA

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) anunciou na sexta-feira, 29, que não disputará o governo de Minas Gerais nas eleições de outubro e pretende encerrar sua trajetória política ao fim do mandato. A decisão foi comunicada durante encontro com empresários em São Paulo, encerrando especulações sobre sua candidatura ao Palácio Tiradentes. Pacheco afirmou que deixará a política após concluir um ciclo de 12 anos na vida pública, período em que foi deputado federal, senador e presidente do Senado e do Congresso Nacional. Segundo ele, a decisão foi amadurecida após deixar a presidência do Senado, em fevereiro. O senador disse estar tranquilo com a escolha e avaliou que Minas Gerais possui nomes qualificados para disputar o governo e representar o estado no Congresso. Sem declarar apoio formal, citou o empresário Josué Gomes e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares. Pacheco afirmou deixar a vida pública com sentimento de missão cumprida e confiança na renovação política. Com forte projeção nacional, era apontado como um dos favoritos na disputa pelo governo mineiro. 


FGV INDICA ESPANHA COMO CAMPEÃ DA COPA

Um modelo estatístico criado por estudantes da FGV EMAp aponta a Espanha como principal favorita ao título da próxima Copa do Mundo, com 15,57% de chance de conquista. A Argentina aparece em segundo lugar (13,62%), seguida pela Inglaterra (9,24%). O Brasil ocupa apenas a nona posição, com 4,68% de probabilidade de conquistar o hexacampeonato. O estudo utiliza modelagem matemática e inferência bayesiana, analisando 2.997 partidas entre 187 seleções disputadas nos últimos quatro anos. Cada jogo da Copa é simulado cerca de 100 mil vezes para calcular as chances de classificação e título. Segundo os pesquisadores, fatores individuais, como a presença de Neymar, são difíceis de mensurar diretamente, mas acabam refletidos nos resultados históricos das seleções. Na fase de grupos, o Brasil teria 32,4% de chance de vencer Marrocos, 87,5% contra o Haiti e 61,7% diante da Escócia. As projeções indicam 96,4% de possibilidade de avançar ao mata-mata, mas apontam uma provável eliminação para a Inglaterra nas quartas de final.


PAIS VENDEM FILHAS 

A crise humanitária no Afeganistão atinge níveis dramáticos. Em Chaghcharan, centenas de homens disputam diariamente raras oportunidades de trabalho, enquanto milhões enfrentam fome extrema. Segundo a ONU, três em cada quatro afegãos não conseguem suprir necessidades básicas, e 4,7 milhões estão à beira da fome. O desemprego e os cortes na ajuda internacional levam famílias a medidas desesperadas. Pais admitem vender filhas para casamento ou trabalho doméstico em troca de recursos para alimentar os demais filhos ou custear tratamentos médicos. A situação é agravada pela seca, pelo colapso econômico e pela redução de 70% da ajuda internacional. Hospitais sofrem com falta de medicamentos e equipamentos, enquanto aumentam os casos de desnutrição infantil. Em Chaghcharan, médicos relatam mortalidade elevada entre recém-nascidos e crianças. Muitas famílias retiram os filhos do hospital por não conseguirem pagar os custos do tratamento. Para milhões de afegãos, a sobrevivência depende da chegada urgente de ajuda humanitária.

PCC E CV NO CONGRESSO

A classificação de facções como PCC e CV como organizações terroristas foi discutida durante a tramitação do PL Antifacção, mas acabou rejeitada pelo Congresso. O projeto, que endureceu as penas contra o crime organizado, foi aprovado amplamente na Câmara e por unanimidade no Senado. Inicialmente, o relator, Guilherme Derrite, propôs equiparar facções a grupos terroristas, transferindo crimes graves para a Lei Antiterrorismo, com penas de 20 a 40 anos. Porém, diante de críticas sobre possíveis impactos na soberania nacional, retirou o trecho. A oposição ainda tentou reintroduzir a medida durante a votação, mas a iniciativa foi barrada. No Senado, o relator Alessandro Vieira rejeitou a equiparação, argumentando que facções não possuem motivação política ou ideológica, mas financeira, e que a legislação atual já oferece instrumentos suficientes para combatê-las. Embora tenha solicitado aos EUA a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, o senador Flávio Bolsonaro não participou da votação da emenda que previa essa equiparação. Segundo sua assessoria, ele estava fora do plenário e teria votado a favor da proposta caso estivesse presente.

FIFA É INVESTIGADA POR PREÇOS NA COPA

A Fifa está sendo investigada por autoridades de Nova York e Nova Jersey após acusações de inflar artificialmente os preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 e enganar torcedores durante as vendas. Os procuradores-gerais dos dois estados abriram uma apuração sobre possíveis práticas abusivas. Segundo as denúncias, a criação de categorias mais caras de assentos e a adoção de preços dinâmicos elevaram os valores de cerca de 90 das 104 partidas, com aumento médio de 34%. Torcedores também alegam ter sido induzidos ao erro sobre a localização dos assentos adquiridos. A investigação avaliará o cronograma de vendas, declarações públicas da Fifa e os motivos para os ingressos custarem mais do que em edições anteriores do torneio. A Fifa foi intimada a fornecer informações, mas não comentou o caso. Autoridades afirmam que os consumidores merecem transparência, preços justos e garantia de receber exatamente os ingressos comprados. A apuração ocorre em meio a críticas aos altos custos relacionados ao Mundial.

Salvador, 31 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

TRADUÇÃO LITERÁRIA TRANSFORMADA EM ATIVIDADE AUTOMATIZADA


A expansão da inteligência artificial ameaça transformar a tradução literária em uma atividade automatizada, orientada pela redução de custos e pela rapidez. O autor defende que traduzir é uma arte, retomando a ideia de Italo Calvino de que o tradutor busca transmitir aquilo que há de intraduzível em cada língua. 
O texto critica a invisibilidade dos tradutores, frequentemente ignorados por leitores, influenciadores, editoras e instituições públicas. Como exemplo, cita o programa MEC Livros, que muitas vezes não informa os nomes dos responsáveis pelas traduções. A tradução é apresentada como uma ponte entre culturas, essencial para ampliar horizontes, combater o isolamento cultural e enfrentar discursos autoritários e nacionalistas. Nesse contexto, são lembrados pensadores e tradutores como Cesare Pavese, Paulo Rónai e Giorgio Agamben, que destacaram a importância cultural, política e artística da atividade.

O autor também questiona o crescimento das traduções indiretas e do uso da IA em obras literárias, alertando para possíveis perdas de qualidade, diversidade linguística e profundidade interpretativa. Embora reconheça os benefícios das novas tecnologias, defende que elas sejam utilizadas com cautela e não substituam o trabalho criativo dos tradutores. Por fim, argumenta que preservar a tradução como arte é uma forma de resistência à lógica do mercado, que privilegia velocidade, inovação e lucro. Valorizar os tradutores significa defender o diálogo entre culturas, a diversidade de vozes e a capacidade humana de interpretar e recriar sentidos além do alcance das máquinas.

 

ELEIÇÃO NA COLÔMBIA EM CLIMA DE MEDO E INSEGURANÇA


A morte do pré-candidato presidencial colombiano Miguel Uribe Turbay, dois meses após sofrer um atentado em 2025, reacendeu na Colômbia lembranças dos anos mais violentos do país, marcados por assassinatos políticos, atentados e sequestros. Embora a violência tenha diminuído desde o acordo de paz com as Farc em 2016, ela não desapareceu, apenas se transformou e se fragmentou. A eleição presidencial ocorre, neste domingo, em meio a um clima de medo e insegurança. O assassinato de Uribe tornou-se símbolo das dificuldades do país em superar seu passado violento. Pesquisas mostram que a segurança voltou a ser uma das principais preocupações dos eleitores. O presidente Gustavo Petro apostou na política de “Paz Total”, buscando negociar com diversos grupos armados. No entanto, críticos afirmam que a estratégia fortaleceu organizações criminosas e ampliou a sensação de insegurança. Entre os principais candidatos estão Iván Cepeda, aliado de Petro e defensor da continuidade da Paz Total; Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe e defensora de uma política de segurança mais rígida; e Abelardo de la Espriella, que propõe medidas inspiradas no modelo de Nayib Bukele, de El Salvador.

Especialistas apontam que nenhum dos candidatos apresenta soluções realmente novas para enfrentar a atual configuração da violência colombiana. Enquanto Cepeda aposta em transformação social e diálogo, Valencia defende o fortalecimento das Forças Armadas, e De la Espriella promete endurecimento penal e interrupção de negociações com grupos armados que descumprirem acordos. Analistas destacam que a violência atual é mais regionalizada e ligada ao crime organizado do que aos antigos conflitos ideológicos. Extorsões e sequestros cresceram, e grupos criminosos ampliaram sua presença em várias regiões. A campanha reflete uma sociedade dividida pelo medo: parte teme o retorno da repressão política, outra teme avanços da esquerda sobre a economia, e muitos se preocupam com a criminalidade cotidiana. A violência mudou, mas continua influenciando decisivamente a política colombiana. A eleição ocorre sob o peso dessa ferida ainda aberta, que segue moldando o futuro do país.

 

GASTOS DA RÚSSIA NA UCRÂNIA ULTRAPASSAM ORÇAMENTO


Os gastos da Rússia com a Guerra da Ucrânia podem ultrapassar o orçamento em pelo menos 2 trilhões de rublos (US$ 28 bilhões) em 2026, segundo documento obtido pelo Financial Times. O Ministério das Finanças prevê que o excedente pode chegar a 4 trilhões de rublos em um cenário negativo. A projeção indica despesas adicionais semelhantes em 2027 e 2028. Para compensar, o governo propôs congelar 2,9 trilhões de rublos em gastos não militares neste ano, além de cortes maiores nos anos seguintes. Mesmo destinando quase 40% do orçamento de 2026 para defesa e segurança, o Kremlin enfrenta crescente pressão fiscal. O déficit previsto para o ano era de 3,8 trilhões de rublos, mas já alcançou 5,9 trilhões nos quatro primeiros meses, equivalente a 2,5% do PIB. A alta do petróleo provocada pela guerra no Irã aumentou as receitas russas, mas não deve ser suficiente para cobrir os custos crescentes do conflito. O ministro das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o orçamento está sendo revisado e admitiu a possibilidade de novos cortes. Segundo ele, as reservas do país são limitadas e o governo busca equilibrar as contas públicas diante das mudanças econômicas globais.

Ao mesmo tempo, o cenário econômico se deteriora. O Ministério da Economia reduziu a previsão de crescimento para 2026 de forma significativa, projetando expansão de apenas 0,4%. Economistas apontam que o orçamento se tornou a principal preocupação do país. Crescem as dúvidas sobre novos impostos, cortes de gastos e redução dos juros. Parlamentares e analistas também passaram a relacionar diretamente os problemas econômicos ao peso dos gastos militares. Críticos afirmam que a prioridade dada à guerra reduz investimentos, pressiona a inflação e limita recursos para áreas sociais e produtivas. Ex-integrantes do governo avaliam que Moscou está priorizando o financiamento do conflito em detrimento de subsídios, compras públicas e investimentos estatais, evidenciando o impacto crescente da guerra sobre as finanças russas. 

FUNDO CRIADO POR TRUMP PARA RECONSTRUIR GAZA NÃO RECEBEU RECURSOS


O fundo oficial do Conselho da Paz criado por Donald Trump para coordenar a reconstrução da Faixa de Gaza permanece sem recursos quatro meses após sua criação. Embora países membros tenham prometido cerca de US$ 7 bilhões e Trump tenha anunciado outros US$ 10 bilhões em apoio americano, nenhuma quantia foi depositada no fundo administrado pelo Banco Mundial. Segundo pessoas envolvidas no projeto, as doações vêm sendo feitas diretamente para uma conta do conselho no JPMorgan, sem os mesmos mecanismos independentes de transparência exigidos do fundo supervisionado pelo Banco Mundial e apoiado pela ONU. Recursos enviados por Marrocos e Emirados Árabes Unidos financiaram apenas despesas administrativas, incluindo o escritório do enviado especial para Gaza e um comitê tecnocrático palestino criado para governar o território. Outros US$ 100 milhões destinados pelos Emirados ao treinamento de uma nova força policial permanecem congelados. O Departamento de Estado dos EUA planeja redirecionar cerca de US$ 1,2 bilhão para iniciativas ligadas à agenda do conselho, mas nenhum valor foi gasto até agora. Também segue pendente uma proposta de transferência de US$ 50 milhões para custear operações do organismo, condicionada à criação de controles financeiros adequados.

Embora o conselho já tenha iniciado processos de licitação para obras de segurança e reconstrução, nenhum contrato foi firmado. Seus representantes afirmam que a falta de condições políticas e de segurança em Gaza, especialmente pela ausência de desarmamento do Hamas, impede o início efetivo das atividades. Lançado por Trump em janeiro com a missão de coordenar a reconstrução do enclave palestino após a guerra, o conselho também enfrenta questionamentos jurídicos. Parlamentares americanos cobram esclarecimentos sobre seu status legal e sua elegibilidade para receber verbas federais. Há ainda dúvidas sobre a autoridade administrativa do organismo em Gaza, sua relação com a ONU e o que ocorrerá quando expirar o mandato transitório previsto em resolução do Conselho de Segurança. Enquanto isso, nenhum dos objetivos centrais do plano pós-guerra — desarmamento do Hamas, retirada israelense e reconstrução de Gaza — avançou. Segundo participantes do processo, nem um dólar americano foi aplicado na reconstrução até o momento. Integrantes do comitê afirmam que a falta de recursos inviabiliza qualquer atuação prática no território. Sem meios para atender à população ou executar projetos, o plano de reconstrução permanece paralisado. 

VENEZUELA EM CRISE ELÉTRICA


Maria esperava precisar de apenas uma vela em seu aniversário, no bolo. Mas, em 5 de maio, quando recebeu os parabéns, sua casa em Maracaibo estava sem energia. O apagão começou às 20h e durou até a meia-noite, obrigando a família a celebrar à luz de velas e lâmpadas a bateria, recurso já incorporado à rotina da população. A crise elétrica afeta todo o país. Pesquisa da Universidade Católica Andrés Bello mostra que nove em cada dez residências sofreram interrupções de energia e quatro em cada dez enfrentam cortes diários por várias horas. O problema persiste desde 2009, quando o governo de Hugo Chávez iniciou medidas de racionamento e decretou emergência elétrica. Em 2026, a situação se agravou. No primeiro trimestre, foram registrados 36 protestos por falta de energia. O governo atribui as falhas ao aumento das temperaturas e da atividade econômica, alegando que o crescimento do consumo sobrecarrega a rede. Especialistas contestam essa explicação. O engenheiro Miguel Lara afirma que a demanda atual cresceu pouco mais de 5% em relação a 2025, indicando que o problema está na capacidade do sistema. Embora a Venezuela possua capacidade instalada teórica de 36 mil MW, apenas cerca de 13 mil MW estão efetivamente disponíveis.

Segundo Lara, a rede de transmissão e as usinas termelétricas operam muito abaixo do potencial. A limitação compromete não apenas a vida cotidiana, mas também os planos de recuperação econômica e da indústria petrolífera. Empresas do setor afirmam que quedas de energia interrompem a produção de petróleo e reduzem a produtividade dos poços. Para especialistas, novos investimentos exigiriam até mesmo usinas próprias para garantir fornecimento confiável. O comércio também sofre. Em cidades como Valência, apagões de cinco a oito horas diárias provocam prejuízos, aumentam custos e afetam trabalhadores e consumidores. Lara calcula que seriam necessários cerca de US$ 45 bilhões e seis anos de investimentos para reconstruir o sistema elétrico. Ele atribui a crise não à falta de recursos, mas a décadas de má gestão, desperdício de verbas e projetos inacabados. Enquanto isso, venezuelanos como Maria seguem dependendo de baterias e velas para enfrentar os frequentes apagões. 

ARTISTAS DESISTEM DE COMEMORAÇÕES NOS EUA


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será a principal atração das comemorações pelos 250 anos da independência do país, após uma série de cancelamentos de artistas que participariam da abertura da Great American State Fair, no National Mall, em Washington. O evento, organizado pelo grupo Freedom 250, ocorrerá entre 25 de junho e 10 de julho de 2026 e contará com pavilhões estaduais, exposições, brinquedos e atrações culturais ao longo da área entre o Capitólio e o Monumento a Washington. A programação musical, porém, sofreu baixas importantes. Na sexta-feira (29), Bret Michaels, vocalista da banda Poison, tornou-se o quinto artista a desistir do evento, alegando que a celebração deixou de parecer apartidária. Os organizadores não detalharam os motivos das desistências, mas os cancelamentos levantaram dúvidas sobre o formato originalmente planejado para a festa. Danielle Alvarez, assessora do Freedom 250, afirmou ao Washington Post que Trump participará pessoalmente da cerimônia de abertura, em 24 de junho, marcando o início das comemorações do aniversário da nação.

Em publicação na rede Truth Social, Trump sugeriu que os shows poderiam ser dispensados caso mais artistas abandonem o evento. Segundo ele, um discurso ou comício poderia substituir as apresentações musicais. O presidente afirmou ser, “segundo muitos”, a principal atração do mundo e declarou atrair públicos maiores do que os de Elvis Presley em seu auge. Trump também informou que pediu a seus representantes que avaliem a realização de um comício chamado “America Is Back”. A Freedom 250, parceria entre a Casa Branca e órgãos federais para coordenar as celebrações, ainda não informou se buscará artistas substitutos nem se a proposta de Trump será adotada. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 31/05/2026

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Colômbia vai às urnas em disputa que testa legado de Gustavo Petro

Primeiro turno neste domingo (31/5) opõe continuidade do projeto de esquerda e avanço da direita em cenário de polarização

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

'Pejotização' do crime: infiltração de facções no setor formal tira R$ 39 bi da indústria por ano e eleva risco de sanção dos EUA

Avanço sobre atividades lícitas assusta empresários e autoridades. No Rio, Coaf identificou R$ 44 bi em movimentações suspeitas de ligação com quadrilhas no setor bancário só em três meses

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Lula 3 e Congresso deixam de herança quase R$ 1 tri na conta de luz

Ministério questiona cálculo e afirma ser indispensável considerar benefícios das políticas públicas implementadas pelo atual governo Frente Nacional de Consumidores diz que setor de energia está 'uma desordem', e alta dos custos mostra urgência na reforma do modelo

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Pacheco anuncia saída da política e descarta disputa em Minas

Ex-presidente do Senado afirmou que encerra ciclo de 12 anos na vida pública e não concorrerá ao governo mineiro em 2026

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Aliados de Lula pedem que PGR investigue Flávio Bolsonaro por possível atentado à soberania

Senador é alvo de representação por suposta atuação em defesa da classificação de PCC e CV como terroristas junto aos EUA

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Reeleito líder do PSD, Montenegro promete "trabalhar, trabalhar, trabalhar" para "não defraudar expectativas" dos portugueses

Candidato único, atual primeiro-ministro obteve 94,8% dos votos, uma percentagem inferior à obtida em 2024, numas diretas do PSD que também mobilizaram menos militantes.

sábado, 30 de maio de 2026

RADAR JUDICIAL


POPULAÇÃO JAPONESA CAI

A população do Japão caiu 2,5% em cinco anos, segundo dados do censo divulgados ontem, 29. O país soma agora 123 milhões de habitantes, mais de 3 milhões a menos que em 2020. O governo japonês reconheceu que o declínio demográfico está se agravando. O país enfrenta uma das menores taxas de natalidade do mundo e rápido envelhecimento da população. Em 2025, o número de nascimentos caiu pelo décimo ano seguido, totalizando 705.809 bebês. Embora a imigração seja apontada como possível solução, a premiê Sanae Takaichi defende regras mais rígidas para estrangeiros. Nos últimos anos, autoridades tentaram estimular casamentos e a maternidade com aplicativos de encontros, subsídios para filhos e ampliação de benefícios de licença parental, mas os resultados seguem limitados.


TRUMP É ACUSADO DE ESTUPRO

O Departamento de Justiça dos EUA abriu investigação criminal contra a escritora E. Jean Carroll, que acusou o presidente Donald Trump de estupro nos anos 1990. Segundo fonte ligada ao caso, a apuração busca saber se Carroll cometeu perjúrio em depoimentos ligados a dois processos civis vencidos contra Trump. As ações tratavam de abuso sexual em uma loja de departamentos de Nova York e de difamação em 2019. A investigação é conduzida pela Procuradoria Federal de Chicago e ainda não significa que Carroll será formalmente acusada. Promotores analisam uma declaração de 2022 em que Carroll afirmou não ter recebido financiamento externo para o processo. Posteriormente, seus advogados revelaram que Reid Hoffman ajudou a custear despesas jurídicas. Em maio de 2023, um júri concluiu que Trump abusou sexualmente e difamou Carroll, mas não a estuprou. Em janeiro de 2024, outro júri condenou Trump a pagar US$ 83 milhões por difamação. Trump nega irregularidades e segue disputando o caso na Justiça. O Departamento de Justiça do governo Trump tem ampliado investigações contra adversários políticos desde o ano passado. O secretário interino de Justiça, Todd Blanche, foi impedido de atuar no caso por ter sido advogado pessoal de Trump. A advogada de Carroll, Robbie Kaplan, e o departamento não comentaram o assunto.


DECISÃO JUDICIAL FICTÍCIA E LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

A apresentação de decisão judicial fictícia em processo viola o artigo 80 do Código de Processo Civil por simular respaldo jurisprudencial inexistente. Com esse entendimento, a 1ª Vara Cível de Mauá (SP) condenou um advogado por litigância de má-fé, aplicando multa de 10% sobre o valor da causa e comunicando a OAB-SP para apuração disciplinar. O caso envolvia ação movida por seguradora, na qual o defensor da parte ré citou dois acórdãos falsos para justificar atraso na transferência de veículo de leilão. Ao analisar os documentos, o juiz Anderson Fabrício da Cruz verificou que os julgados originais tratavam de temas distintos e não continham qualquer menção à tese apresentada. Segundo o magistrado, houve alteração deliberada da verdade dos fatos e conduta temerária, enquadrando o caso nos incisos II e V do artigo 80 do CPC. A sentença destacou ainda que a fraude foi praticada exclusivamente pelo advogado, já que o cliente não possui conhecimento técnico para elaborar ementas ou verificar autenticidade de precedentes.

GARI DISPENSADO É RECONTRATADO COM SALÁRIO MENOR
 
O artigo 7º, VI, da Constituição garante a irredutibilidade salarial, salvo negociação coletiva, enquanto o artigo 468 da CLT proíbe alterações contratuais prejudiciais ao empregado. Com base nisso, a 4ª Turma do TRT da 4ª Região manteve decisão que condenou uma empresa a pagar diferenças salariais a um gari dispensado e recontratado no dia seguinte com salário menor. A empresa alegou erro no registro inicial, afirmando que o trabalhador foi contratado como coletor de lixo, embora exercesse função de gari de limpeza urbana. Sustentou ainda que a correção ocorreu após consulta ao sindicato. O juiz Marcelo Caon Pereira entendeu que a empresa não comprovou ciência ou concordância do empregado com a redução salarial. Assim, determinou o pagamento das diferenças e reflexos em verbas trabalhistas. A relatora no TRT-4, juíza convocada Cacilda Ribeiro Isaacsson, afirmou que a empresa tentou mascarar alteração contratual lesiva, prática vedada pela legislação trabalhista. Segundo ela, o suposto “erro administrativo” não justifica a diminuição do salário, já incorporado ao contrato de trabalho, nem pode transferir ao empregado falhas de gestão da empresa.

ESCUTA AMBIENTAL NO GABINETE DO GOVERNADOR

Agentes do GSI do Rio de Janeiro encontraram vestígios de equipamento de escuta ambiental no gabinete do governador, no Palácio Guanabara. O material foi localizado na terça-feira (26), durante varredura de rotina, e seria aparentemente antigo e sem funcionamento. O governo informou que o dispositivo não estava ativo. O governador interino, Ricardo Couto, divide seu expediente entre o Palácio Guanabara e o Tribunal de Justiça, que também preside.
A ocupação do cargo de governador está em disputa judicial no STF. O tribunal mantém o desembargador no cargo por liminar. O presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), reivindica a função alegando estar à frente na linha sucessória. Nesta quinta-feira (28), Ruas apresentou novo pedido ao STF para assumir o governo. O caso aguarda devolução de vista solicitada pelo ministro Flávio Dino. O atual governador assumiu em março após renúncia de Cláudio Castro (PL). O estado ficou sem vice após a saída de Thiago Pampolha para o TCE. O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, estava afastado por investigação ligada a vazamento de operação policial.

"FALSOS PATRIOTAS"

O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski afirmou que o Brasil pode virar um “pária internacional” após os EUA classificarem o PCC e o CV como organizações terroristas. Segundo ele, a medida assusta investidores estrangeiros e eleva o custo para empresas atuarem no país. Lewandowski disse que companhias terão de reforçar controles e compliance para evitar vínculos, mesmo indiretos e sem intenção, com essas facções. Segundo ele, as punições podem ser criminais, e não apenas econômicas ou tributárias. O ex-ministro afirmou ainda que os custos com seguros e medidas administrativas devem aumentar. Ele comparou a situação à de países como Líbia, Irã e Iraque, que enfrentaram dificuldades econômicas após acusações semelhantes. Atualmente na iniciativa privada, Lewandowski afirmou que o empresariado precisa compreender os impactos econômicos da decisão. O Departamento de Estado dos EUA anunciou a medida na quinta-feira (28), um dia após Flávio e Eduardo Bolsonaro se reunirem com Donald Trump e integrantes do governo americano. Em nota, o governo Lula chamou os Bolsonaro de “falsos patriotas” e os acusou de pedir interferência estrangeira em assuntos brasileiros.

Salvador, 30 de maio de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.