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quarta-feira, 22 de julho de 2026

RADAR JUDICIAL


MINISTROS DO STF CRITICAM DECLARAÇÕES DE FLÁVIO BOLSONARO

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre as urnas eletrônicas, classificando-as como "graves" e "absurdas". O parlamentar sugeriu que as urnas brasileiras teriam a mesma origem das usadas na Venezuela, citadas em relatório da CIA sobre supostas fraudes. O ministro Gilmar Mendes afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é confiável e repudiou o uso de relatórios estrangeiros para levantar suspeitas. Outros ministros lembraram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu essa alegação. Segundo eles, Flávio repete o discurso adotado por Jair Bolsonaro em 2022. A campanha do senador divulgou nota afirmando que ele não questionou a segurança das urnas brasileiras, mas apenas mencionou o relatório sobre a Venezuela. O TSE voltou a negar qualquer relação entre as urnas brasileiras e a empresa Smartmatic. As declarações ocorrem em meio a dificuldades na campanha de Flávio, que enfrenta crise interna e ainda busca um candidato a vice.


DISNEY DEMITE CENTENAS DE FUNCIONÁRIOS

A Disney realizou nova rodada de demissões nesta terça-feira (21), desligando centenas de funcionários após cortar mais de mil vagas em abril. Os cortes atingiram equipes da Pixar, ESPN, National Geographic e outras áreas da empresa. A Pixar foi a mais afetada, com demissões nos setores de produção e operações. Segundo o CEO Josh D'Amaro, a medida faz parte de uma estratégia para reduzir o volume de lançamentos no Disney+ e priorizar a qualidade. Em abril, os cortes já haviam atingido marketing, estúdios, televisão, ESPN e áreas corporativas. Especialistas avaliam que a pandemia mudou o hábito do público, que passou a consumir animações da Pixar no streaming, após lançamentos como "Soul", "Luca" e "Turning Red", reduzindo a força das estreias nos cinemas.


RISCO DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA NOS PAÍSES DO GOLFO 

O Irã voltou a atacar uma usina de dessalinização no Kuwait na segunda-feira (20), elevando o temor de uma crise no abastecimento de água nos países do Golfo. A instalação, integrada a uma central elétrica, sofreu incêndios e novos bombardeios nesta terça (21). Teerã também mirou bases militares usadas pelos Estados Unidos no Kuwait. Os ataques fazem parte da estratégia iraniana de atingir infraestrutura crítica. A ofensiva ocorre após a retomada do conflito por Donald Trump, encerrando uma trégua de 60 dias. Na semana passada, Trump ordenou bombardeios contra pontes e um aeroporto no Irã. O Irã afirma ter atingido ainda instalações da Amazon no Bahrein. A infraestrutura hídrica é vital para os países desérticos da região. No Kuwait, 90% da água potável vem da dessalinização; no Bahrein e no Qatar, 100%.
Cerca de 60% da capacidade mundial de dessalinização está concentrada no Golfo. Os EUA responderam com novos bombardeios no sul e oeste do Irã. A escalada aumenta o risco de agravamento da guerra e de uma crise humanitária na região.

LULA NÃO IRÁ NA POSSE DE KEIKO E ESPRIELLA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará das posses dos presidentes eleitos do Peru, Keiko Fujimori, e da Colômbia, Abelardo de la Espriella. Segundo o Planalto, o foco do governo, às vésperas da eleição presidencial, será a agenda interna. O próximo compromisso internacional de Lula deve ser a Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Nova York. O chanceler Mauro Vieira representará o Brasil na posse de Keiko, em Lima. Ainda não há definição sobre o representante brasileiro na posse colombiana. A ausência ocorre em meio à mudança política na América do Sul, com vitórias de candidatos de direita. Com isso, o Brasil passa a ser o único grande país da região governado por um presidente de esquerda. Na Colômbia, a transição é marcada por disputas entre Espriella e o atual presidente, Gustavo Petro. Petro questionou o resultado da eleição sem apresentar provas. Keiko também venceu por margem apertada no Peru. Lula cumprimentou os dois eleitos e defendeu a continuidade das relações diplomáticas. As vitórias reforçam o avanço da direita na América do Sul e ampliam o isolamento político do governo brasileiro na região.

CNJ AUTORIZA EXTINÇÃO DE EXECUÇÕES

O CNJ, através de resolução dispôs sobre novas regras dispostas na Resolução 683/2026, buscando mais celeridade e simplificação nas ações de baixo valor que tramitam nas instituições financeiras. O documento autoriza os juízes e juízas a extinguirem, sem resolução de mérito, execuções de títulos extrajudiciais que tenham valores inferiores a R$ 10 mil, desde que não sejam localizados o devedor ou bens passíveis de penhora e quando o devedor não contestou a execução.   

AÇÃO JUDICIAL CONTRA META POR USAR "IA"

Uma ação judicial na Califórnia acusa a Meta de usar inteligência artificial para selecionar funcionários para demissão de forma discriminatória. Trabalhadores alegam que o sistema prejudicou pessoas com deficiência ou que tiraram licença médica ou familiar. O caso evidencia a dificuldade de provar como a IA foi usada nas decisões internas das empresas. Segundo especialistas, acordos de arbitragem também dificultam ações coletivas e limitam o acesso à Justiça. A arbitragem é sigilosa, o que impede que provas sejam compartilhadas com outros funcionários. A Meta nega ter utilizado IA para decidir demissões ou avaliações de desempenho, afirmando que todas as decisões foram tomadas por pessoas. O juiz William Orrick rejeitou um pedido para suspender as demissões, mas poderá rever a decisão caso surjam novas provas. Uma audiência está marcada para 24 de agosto. O caso é considerado raro e pode influenciar futuras disputas sobre o uso de IA nas relações de trabalho.

TRUMP AMEAÇA COM CRIME DE GUERRA 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir “uma ponte ou usina de energia” do Irã sempre que o país atacar navios no Estreito de Ormuz. Em publicação na Truth Social, afirmou que os EUA responderão com bombardeios a qualquer míssil, foguete ou drone lançado contra embarcações na região. A declaração ocorreu após a 11ª noite seguida de ataques americanos ao Irã. Pelo direito internacional, a legalidade de atingir pontes e usinas depende de elas serem consideradas objetivos militares. As Convenções de Genebra proíbem ataques a bens civis sem finalidade militar. O Estatuto de Roma classifica como crime de guerra ataques deliberados contra alvos civis ou desproporcionais. Especialistas apontam que cada caso exige avaliação da necessidade e da proporcionalidade da ação. Enquanto isso, o conflito segue elevando os custos para Washington. Segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a guerra já consumiu US$ 37,5 bilhões. Em junho, Trump solicitou ao Congresso mais US$ 90 bilhões em recursos. A maior parte do financiamento é destinada às operações ligadas ao conflito com o Irã. A escalada aumenta as tensões e amplia o risco de novos confrontos na região.

Santana, 22 de julho de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

 

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