Mobilidade urbana afeta todos nas grandes cidades, mas pesa mais sobre as mulheres, especialmente as moradoras das periferias. É o que mostra a tese de doutorado da UFF, A (i)mobilidade das mulheres no cotidiano urbano, da pesquisadora Clarisse Cunha Linke. O estudo revela que o modelo de urbanização do Rio ampliou a distância entre periferias e áreas centrais, onde se concentram os empregos, agravando desigualdades. Além de enfrentar ônibus e trens lotados, atrasos, tarifas elevadas e longos congestionamentos, as mulheres acumulam responsabilidades domésticas e de cuidado. Seus deslocamentos são mais complexos, envolvendo creches, compras, cuidados com familiares e trabalho, exigindo trajetos múltiplos e flexíveis. Empregadas domésticas, por exemplo, acordam de madrugada, fazem várias baldeações e caminham longas distâncias para chegar ao serviço. O medo também faz parte da rotina: assaltos, violência, tiroteios e assédio sexual durante as viagens. Relatos de importunação dentro dos transportes revelam um ambiente de insegurança constante.
Embora existam medidas como vagões exclusivos para mulheres, elas não resolvem as causas do problema. A pesquisa destaca que a deficiência do transporte público se soma à falta de calçadas, iluminação, sinalização e segurança nos bairros. Diante dessas dificuldades, muitas mulheres recorrem a vans e mototáxis para conseguir cumprir suas atividades diárias. A autora defende que políticas de mobilidade considerem as necessidades femininas, priorizando segurança, acessibilidade, circulação nos bairros, caminhabilidade e tarifas mais justas para reduzir as desigualdades urbanas.
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